Plantas Ornamentais

Como cuidar das suas orquídeas no inverno

Cymbidium

Ao contrário das plantas de jardim convencionais, que cessam ou diminuem a sua atividade no inverno, numa coleção de orquídeas, a estação mais fria continua a ser uma estação colorida.

Orquídeas no exterior

Muitas das orquídeas que cultivamos todo o ano no exterior estão agora em plena atividade e em floração. Os Cymbidium (ver os dois números anteriores) estão nesta altura em flor ou a produzir hastes florais.

Os sapatinhos Paphiopedilum também escolhem o final do outono e início do inverno para florir. Estas orquídeas são para manter no exterior ou para trazer para casa se quisermos usufruir mais de perto das suas florações. Se ficarem no exterior, temos de as proteger da chuva e das geadas, que podem arruinar tanto as florações como as plantas.

Também os meus Dendrobium tipo Nobile, as Coelogyne de ambientes mais frios, as Stanhopea, algumas Maxillaria, Lycaste e Zygopetalum ficam no exterior todo o inverno, num local onde não apanham chuva e com as regas reduzidas e fertilizações praticamente suspensas.

Muitas Cattleya também escolhem este período mais frio para florir, uma espécie deste género que, para mim, simboliza as florações de inverno é a Cattleya anceps, que também fica no exterior. Inicia a sua haste floral no final do verão e vai crescendo lentamente para abrir as suas bonitas flores no início do inverno. Às Cattleya chamamos as “orquídeas dos dias curtos”, pois muitas florescem quando os dias vão ficando mais pequenos.

Coelogyne cristata

Período de dormência

Existem algumas orquídeas que no inverno cessam por completo a sua atividade.

Não se desenvolvem, não dão flores, estão praticamente inativas durante algumas semanas. Têm o que chamamos um “período de dormência”, como se fosse uma hibernação, onde para algumas orquídeas são reunidas forças para a explosão de vida na estação seguinte e outras preparam as suas florações para o final do inverno ou início da primavera.

Entre muitas orquídeas, posso salientar muitas espécies de Dendrobium (incluindo os mais comuns Dendrobium nobile e Dendrobium phalaenopsis) e também os Catasetum, Cycnoches, Mormodes e orquídeas terrestres como as Bletilla, as Disa e os Cypripedium. Estas últimas até perdem o caule e as folhas ficando reduzidas a um bolbo ou um rizoma adormecido na terra. Para estas orquídeas, o desafio para o orquidófilo é conseguir deixá-las sossegadas umas semanas, num local mais seco e protegido das chuvas fortes, geadas e frio excessivo. É um repouso necessário, e as regas devem ser muito mais reduzidas e espaçadas, muitas vezes só uns borrifos para evitar que desidratem. Isto geralmente acontece em dezembro e algumas semanas de janeiro, quando está mesmo muito frio.

Paphiopedilum wardii

As orquídeas de interior

Chamamos-lhe “de interior” porque não sobreviveriam no exterior no inverno. Devem ser mantidas em estufas aquecidas ou nas nossas casas.

Cuidado com a aproximação das janelas porque por vezes as temperaturas baixam consideravelmente junto aos vidros e, apesar de para nós estarem no interior, muitas não resistem a temperaturas tão baixas. Para as orquídeas “de interior”, os invernos devem ser passados num local bem iluminado, sem luz solar direta forte e onde as temperaturas não baixem à noite, abaixo dos 16 ºC.

Para as casas mais frias, podemos sempre comprar um cabo ou um tapete de aquecimento (geralmente compram-se em lojas de animais, na secção dos aquários ou répteis) que não gastam muita energia e podem manter uma pequena área aquecida, onde serão colocados os vasos das nossas orquídeas tropicais. Em países onde os dias são muito curtos, muitos orquidófilos optam também por utilizar lâmpadas fluorescentes próprias para plantas para aumentar o período de luz.

Para estas orquídeas tropicais, falo de Phalaenopsis, Oncidium, Brassia, os híbridos Cambria, as Vanda, Bulbophyllum e tantas outras, as regas, fertilizações e mesmo reenvasamentos continuam a ser feitos regularmente pois essas orquídeas mantêm a sua atividade normal, mesmo com o inverno a acontecer lá fora.

Fotos: José Santos

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