Jardim

Coreografia de vistas sobre o jardim

vista a partir da sala

A sala é interpretada como um enorme camarote cuja paisagem privilegia e enaltece o design e a arquitetura de interiores. A exuberância da flora tropical dá o mote a esta casa que convida à vida na sua forma mais íntima com a Natureza, em pleno centro de Lisboa.

 

A casa foi desenhada a partir da encenação do jardim que a abraça em todas as vistas desde o interior. É a importância maior e a inspiração para vestir o interior da casa. Uma noção inovadora na forma de viver na cidade.

Tudo é luz; a casa reflete cada dia que nasce. Tudo é mutável; o jardim vegeta, regenera e salva o dia da monotonia. Tudo é único, na joia escondida que se faz somente mostrar a quem aqui vive ou aqui é acolhido. Tudo é escolhido em função dos temas que melhor se inserem na vegetação tropical; reminiscências e alusões ao barroco, período áureo da presença cultural portuguesa no Brasil, apontamentos sóbrios de design contemporâneo, peças étnicas do continente africano convivem com arte moderna, em conjunto sublinhados com padrões de cores pastel que elegantemente sobressaem do intenso verde que cobre o chão, paredes e teto do apartamento lisboeta.

Projeto de 2005, que trabalhou uma área interior bastante reduzida, assentou no uso da perspetiva e da profundidade para aumentar virtualmente a sala. Para tal, foi idealizado um prolongamento para o exterior através da montagem detalhada de um jardim cénico, com função de paisagem decorativa, para ser usufruída visualmente a partir da casa. Foi este o primeiro trabalho como jardineiro, executado na relação entre o interior e o exterior, inspirado na variedade botânica dos trópicos, fazendo uso das formas inusitadas e estilosas das espécies da família das Bromeliáceas. Heliconia shiedeana, Cordyline fruticosa e sobretudo bromélias são cultivadas como peças decorativas da arquitetura de interiores, de forma a promover a temática do exotismo ao ambiente eclético no estilo da sala. 

Vista para o exterior: transparências.

Neste projeto doi idealizado um prolongamento para o exterior através da montagem detalhada de um jardim cénico, com função de paisagem decorativa, para ser usufruída visualmente a partir da casa.

Este garden room é confortável, requintado e conseguido em função da exuberância do jardim. Não se trata de um jardim vertical mas de um jardim montado inspirado na atmosfera da floresta tropical, onde inúmeras plantas crescem de forma epífita sobre troncos de outras plantas. Aqui foi repetido esse comportamento de cultivo. A cor da parede do jardim de tom alfazema-lilás faz o contraste hábil e penetrante com o verde luminoso característico das espécies tropicais.

Ao longo do comprimento da sala, o canteiro que acompanha as vidraças recebeu exemplares de Ficus benjamina, F. maclellandii e F. rubiginosa, que funcionam como um biombo verde, filtram a luz solar direta e proporcionam privacidade à casa. Apesar de se tratar de um sétimo andar, a execução deste projeto interior e do jardim que definiu toda a linguagem invulgar conseguida foi possível com a instalação de canteiros fixos de alvenaria que camuflam floreiras amovíveis, estas desenhadas para receber os exemplares de grande porte.

Vista para o interior

Não há separação entre espaços interior e exterior, mas há uma nítida sensação de devolução do ambiente de jardim para o interior. As paredes de folhas de vidro podem ser recolhidas e, no verão, a sala é uma extensão do jardim.

 

Texto e fotografias: Nuno Prates

 

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