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Jardins de Portugal: Rota do Alentejo

As herdades ou quintas são extensas, sendo a maioria estruturas rurais, mas outras há, umas grandes, outras pequenas, com uma cultura contemplativa e recreativa, justaposta a uma sábia arte de cultivo e de procura do fresco suportada em rigorosos sistemas de recolha e distribuição de água que simultaneamente servem os lugares de recreio e contemplação.

Umas são espaços de verdadeira vida de corte nas Alcáçovas ou na Mitra, na Amoreira da Torre ou no Solar da Oliveira. O mármore em Vila Viçosa, Estremoz e Borba confere-lhes uma vivência diferente. Umas têm natureza mais religiosa, como os conventos de São Paulo ou do Espinheiro, herdeiros de um movimento eremita florescente a partir do século XIV no Alentejo. Outras, uma natureza mais produtiva, mas também antiga, onde se convive com os testemunhos de uma sociedade romana próspera, como na Herdade da Palma.

Os santuários localizam-se em locais distintos, contam histórias antigas e mantêm rituais vindos de longe: Nossa Senhora da Visitação, Nossa Senhora de Aires, Nossa Senhora da Penha, Calvário de Monforte… A paisagem é marcada por castelos altaneiros que hoje se tornaram jardins públicos apropriados pelas populações para o recreio: Marvão, Muralhas de Elvas, Vila Viçosa, Montemor-o-Novo… E temos ainda jardins públicos de hoje – outrora hortos de paços reais como o cenográfico Jardim Público de Évora – ou espaços de intensa vida coletiva e verdadeiras praças cívicas como o Rossio de Estremoz. Patrimonialmente rico e diverso, o Alentejo surpreende sempre na arte paisagista portuguesa.

Cada jardim que pertence à rota tem o selo de qualidade atribuído pela AJH – Associação Portuguesa dos Jardins Históricos

Jardim do Castelo de Marvão

Bem no centro do Parque Natural de São Mamede e próximo de Espanha, o lugar é naturalmente privilegiado sob o ponto de vista panorâmico. Marvão é uma vila fronteiriça dominada pelo seu castelo e envolta em muralhas, com uma história antiga de povoamento humano e que mantém uma matriz medieval.
Na muralha inscrevem-se duas portas de acesso e, tomando a Porta da Vila, acede-se ao castelo, que é antecedido por um jardim com um conjunto de canteiros de buxo. Não foi possível apurar a origem deste jardim que é recente e se tornou uma marca distintiva deste castelo. Encontra-se imediatamente a norte da Igreja de Santa Maria, do século XIV, hoje museu municipal, inaugurado em 1987, junto ao recinto do castelo.

Jardim do Castelo de Montemor-o-Novo

O castelo encontra-se numa posição dominante, a cerca de 300 metros de altitude, sobre a planície alentejana onde corre o rio Almansor. Há muito que o castelo tem sido usado como destino de passeio pelos habitantes e também é naturalmente muito procurado por turistas. Junto à Porta da Vila ou Porta Nova e ao miradouro com parque de estacionamento, parte uma alameda que circunda a muralha a uma cota inferior à muralha. No seu interior prevalece vegetação rasteira, algumas espécies arbustivas e uma zona arborizada na envolvente do convento, sendo ainda reconhecíveis estruturas próprias de uma pequena cerca conventual intramuros.

Montemor-o-Novo tem origem muito antiga e inicialmente encontrava-se no interior do castelo. A partir dos finais dos séculos XVI e inícios do XVII, começou a registar-se o abandono da vila intramuros até que, no século XIX, a vila antiga ficou deserta com a exceção do Asilo da Infância Desvalida, entretanto instalado no Convento de Nossa Senhora da Saudação, que foi da ordem dominicana. O inferior das muralhas tem sido alvo de escavações arqueológicas e são escassos, embora notáveis, os vestígios da vila intramuros. Destacam-se a Igreja de São Tiago, do século XIV, com o Centro Interpretativo do Castelo, o já referido Convento de Nossa Senhora da Saudação, construído no início do século XVI, sede, desde 2000, do projeto o Espaço do Tempo, a Capela de São João Batista e as ruínas da alcáçova ou Paço dos Alcaides.

Jardim do Castelo de Vila Viçosa

Acede-se ao castelo de Vila Viçosa a partir do centro da vila. Situado num morro envolto por parte das antigas muralhas, no interior destas conserva-se a vila antiga em que se destaca a igreja de Nossa Senhora da Conceição, com amplo adro com cruzeiro voltado a poente e envolta pelo cemitério. 

A cerca da vila antiga delimita uma área com três hectares aproximadamente, onde se destacam as portas de Évora, Estremoz e Olivença. Entre a igreja e o castelo desenvolve-se um jardim, com arvoredo denso, remontando este ajardinamento a 1953 e com ligação direta ao centro da vila. Os duques de Bragança residiram no castelo até à construção do Paço do Reguengo, no início do século XVI, por iniciativa de D. Jaime de Bragança, o atual Paço Ducal de Vila Viçosa, que se encontra a escassas centenas de metros daqui. O castelo é propriedade da Fundação da Casa de Bragança e nele estão instalados o Museu da Caça e o Museu de Arqueologia da Fundação.

Horto do Paço das Alcáçovas

O Paço dos Henriques ou das Alcáçovas é propriedade do Estado Português que, em 2011, o cedeu ao município de Viana do Alentejo, que aqui instalou um Posto de Turismo/Receção ao Visitante com áreas destinadas a exposições, serviços de documentação e serviços educativos após um significativo projeto de restauro do complexo. Este é composto por dois espaços diferenciados, separados por um eixo viário preexistente, a rua do Paço. A poente, encontra-se a casa de habitação, com três pisos, pátio interior, celeiro e pátio exterior murado e a nascente o horto murado com a Capela de Nossa Senhora da Conceição (primitivamente de São Jerónimo). O horto é localmente designado por “Jardim das Conchinhas” devido ao recurso significativo à arte dos embrechados no revestimento das paredes. Destaca-se ainda o sistema hidráulico que garante a presença contínua da água.

Segundo a tradição e a crença local, este espaço terá correspondido a um antigo paço real, mandado edificar por D. Dinis, no qual terá sido celebrado o Tratado de Alcáçovas-Toledo, em 1479, pelos enviados dos monarcas D. Afonso V de Portugal e D. Fernando de Castela. Por estes motivos, este edifício assume um valor simbólico não só em Alcáçovas, como também para a História de Portugal e do mundo.

Jardim da Casa do Visconde de Olivã

A casa do Visconde de Olivã em Campo Maior data do século XVII e era então conhecida pelo Palácio dos Meneses. Posteriormente foi comprada por José Vitorino Machado. A sua viúva casou-se com Cristóvão Cardoso de Albuquerque Barata, passando o palácio a chamar-se Casa do Barata. Na década de 1980, foi adquirido pelo município de Campo Maior, que o restaurou para novas funções: biblioteca e repartição de finanças, tendo, mais tarde, em 2005, aqui instalado o Lagar-Museu. 

A fachada da casa dá diretamente sobre a rua, havendo um pequeno largo com uma fonte. Entra-se no palácio por um portal e acede-se a partir daqui ao jardim. Este está organizado em três patamares. Uma rua principal descentrada em relação ao edifício, com outro amplo espaço à direita conduz ao ponto mais alto do jardim. O espaço é rico em elementos decorativos – bancos, fontes, muretes, nichos, arcos, alegretes, pequenos pavilhões – dominantemente revestidos por reboco branco e, nos canteiros, encontram-se uma diversidade de espécies como limoeiros, laranjeiras, romãzeiras, oliveiras, buxos, alecrim e alfazemas.

Jardim das Laranjeiras

Localiza-se no fosso das muralhas seiscentistas de Elvas, junto à Porta de Évora, e adossado à muralha. Limitado pela muralha e por uma avenida exterior, o jardim desenvolve-se numa plataforma inferior. Como o nome indica, as laranjeiras são a marca deste jardim, reabilitado em 2009, plantadas em diferentes alinhamentos, suportadas por canteiros de relva. A cor ocre domina este jardim nos seus elementos construídos – muros, muretes, lagos, bancos. Mais recentemente, o município ajardinou a faixa exterior à muralha entre o Jardim das Laranjeiras e o Aqueduto da Amoreira, construído nos finais do século XVI – princípios do século XVII e que tem sete quilómetros de comprimento. O jardim está dividido em duas áreas, embora ligados entre si através do arco da ponte que permite o acesso à porta da muralha.

Jardim Público de Évora

Junto às muralhas da cidade, a sul, adjacente ao Rossio de São Brás, está inserido na estrutura do Baluarte do Príncipe e do Baluarte do Conde de Lippe, entre a Porta do Rossio e a Porta do Raimundo. O património arbóreo é particularmente diverso. Construído entre os anos de 1863 e 1867, sob a direção do arquiteto e cenógrafo José Cinatti (1808-1879), onde em tempos existiu a horta real do paço real e do Convento de São Francisco, desenvolve-se longitudinalmente de nascente para poente, acompanhado a muralha da cidade e apresenta três portões de entrada principais: um a norte, outro a nascente e, ainda, outro, a poente que acede diretamente à chamada Mata. 

Junto à entrada norte, encontra-se o que resta dos paços de D. ManuelI, a chamada Galeria das Damas, monumento nacional, um testemunho profundamente transformado do complexo palatino da família real portuguesa, construído sobre o convento e cerca do Convento de São Francisco. Por esta porta e pela porta nascente acede-se ao Jardim Público, atravessado sensivelmente ao meio por um caminho ladeado por bancos, com canteiros bordejados de relva de ambos os lados onde se inscreve uma rede secundária de caminhos, encontrando-se dois lagos e o coreto em ferro inaugurado em 1888. Perto do busto de homenagem a Cinatti, encontram-se as Ruínas Fingidas, uma construção cenográfica projetada no ano de 1865 por Cinatti, que utilizou materiais provenientes das demolições, e suportadas numa torre da chamada Cerca Nova. A partir daqui inicia-se a segunda parte do jardim, a Mata, com zona de merendas, e que se prolonga até ao portão poente ou do Raimundo.

Quinta D. Maria /Quinta do Carmo /Quinta de Nossa Senhora do Carmo

Situada a cerca de um quilómetro da cidade de Estremoz, acede-se a esta quinta por um portal de entrada, com duas estátuas laterais em mármore que simbolizam a Abundância e Magnanimidade ou a Fortaleza e a Justiça. A entrada no imenso terreiro surpreende! A casa e a capela ficam do lado esquerdo e, em frente, as dependências agrícolas, nomeadamente, a adega totalmente renovada, onde os antigos lagares de mármore estão integrados num ambiente enológico de grande modernidade. No lado oposto, novo portal em mármore, integrado num muro com seis janelas e namoradeiras, que abre para o horto da quinta que é todo murado. Construído na primeira metade do século XVIII, está organizado segundo dois eixos principais ortogonais onde se inscrevem sucessivos canteiros e tem ao fundo o Tanque de Neptuno, com uma pequena casa de fresco e, à direita, a casa da nora.

O início da construção da casa data de 1718 e, segundo se conta, a quinta foi adquirida no tempo de D. João V para oferecer a uma cortesã de nome D. Maria e daí o nome da quinta. É também conhecida como Quinta do Carmo por a capela, datada de 1752, ser dedicada a Nossa Senhora do Carmo. John Reynolds, membro de uma família inglesa que em meados do século XIX se instalou no Alentejo dedicada à cortiça e, mais tarde, ao vinho, tornou-se seu proprietário por casamento com Isabel de Andrade Bastos, de quem descende o atual proprietário, que desde há vários anos se dedica à plantação da vinha e à produção de vinhos. Prepare-se para uma visita inesquecível – está perante um conjunto terreiro e horto de rara beleza, autenticidade e grande escala!

Jardins do Pátio de São Miguel/Jardins do Paço de São Miguel

O Pátio de São Miguel encontra-se localizado num dos pontos mais nobres e estratégicos da cidade de Évora e, por essa razão, foi objeto de diversas ocupações ao longo da sua história. A primeira ocupação deste espaço teve essencialmente uma finalidade defensiva, determinada pela sua própria localização no ponto mais elevado da cidade. Com a expansão da cidade, perdeu as suas funções defensivas primitivas e ganhou importância enquanto sede de poder militar, político e administrativo e como espaço de residência dos seus titulares. Foi estrutura defensiva, foi paço real. Hoje está incorporado no património da Fundação Eugénio de Almeida, uma instituição da cidade de Évora.

Embora a origem do Paço de São Miguel remonte à Idade Média, da edificação desse período poucos vestígios se conservam. A existência deste edifício está associada à história de duas famílias cuja presença se encontra separada por cerca de cinco séculos: os condes de Basto, família aqui residiu entre o final do século XV e a primeira metade do século XVII, e a família Eugénio de Almeida. Vasco Maria Eugénio de Almeida adquiriu o Páteo de São Miguel em 1957 com o objetivo de aí fixar a sua residência e a ele se deve a profunda intervenção de conservação e restauro de todo o complexo de edifícios do Páteo de São Miguel, incluindo o jardim em que da época dos condes de Basto se conserva a nora e a casa de fresco. O portal de entrada na rampa dá diretamente para o terreiro fronteiro ao paço. Aqui tem-se acesso à casa-museu, ficando o jardim do lado norte do edifício. É um espaço murado, em convívio próximo com a cidade, um horto onde hoje pontuam laranjeiras, ciprestes, alecrins, alfazemas, tanques, embrechados… 

Jardim das Casas Pintadas

Encontra-se incorporado no Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora. Neste edifício funcionou, de 1655 a 1821, o Tribunal do Santo Ofício, o primeiro a ser criado em Portugal. Ao longo dos tempos, foi tendo obras para adaptação do edifício a diversos fins e, hoje, como memória da primitiva função, sobressaem a Sala do Tribunal e o Cubículo do Inquisidor. As Casas Pintadas devem o seu nome ao singular conjunto de frescos quinhentistas que decora a galeria e o oratório anexo integrados no jardim e que, à época da sua execução pertenciam a D. Francisco da Silveira, 3.º coudel-mor de D. Manuel I e de D. João III e um poeta de referência no Cancioneiro Geral. É de recordar que as pinturas murais eram uma prática comum nos programas decorativos dos jardins quinhentistas O jardim surpreende pela permanência dos seus espaços abertos – pátio, jardim e horta – durante quatro séculos e pelo seu carácter intimista, reforçado pela intervenção, em 2008, para a valorização e requalificação do jardim das Casas Pintadas

Santuário de Nossa Senhora de Aires

Este santuário, em Viana do Alentejo, é um dos maiores e mais importantes santuários marianos a sul do Tejo e constitui um importante ponto de peregrinação. A enorme igreja barroca emerge, imponente com o seu zimbório e torres, no meio da planície alentejana. Dentro do seu adro murado, ela está acompanhada pela cerca destinada aos quartéis de peregrinos e outras dependências.

Fronteiro à igreja estende-se um amplo arraial destinado às festas e próximo encontra-se a pequena Ermida de Senhor Jesus da Pedra ou do Cruzeiro.

A visita ao santuário com a igreja, o arraial, a cerca e a fonte é particularmente impressiva e inesperada, num local ermo, a dois quilómetros de Viana do Alentejo. O lugar é de ocupação antiga e está no cruzamento da estrada romana de Évora a Beja. Aqui existiu uma ermida quinhentista que deu lugar, no século XVIII, à construção da atual igreja, sob projeto do irmão João Baptista, da Congregação do Oratório de São Filipe de Néri de Estremoz, datando de 1743. Foi recentemente objeto de obras de requalificação e conservação. O Interior da igreja é igualmente impressivo com um vasto espólio votivo constituído sobretudo por ex-votos e que muito contribui para a compreensão do lugar e uma visita inesquecível!

Quinta de Santo António

Encontra-se a sete quilómetros de distância de Elvas. Na estrada de Barbacena, segue-se por um caminho entre olivais em terra batida até se chegar a um amplo terreiro. Aí encontra-se o bonito portal de entrada na quinta. Lugar com mais de três séculos de história, foi passando por vários ilustres proprietários até encontrar a sua utilização atual, ao serviço de um projeto turístico. A primeira referência aos donos da quinta data de 1668. Em finais do século XVIII, a quinta pertencia a João António de Sequeira, que adquiriu em hasta pública a fonte do pátio da entrada – a fonte de São Lourenço da cidade de Elvas, datada de 1626 – e as estátuas gigantes colocadas no tanque, nas traseiras da casa junto ao jardim de buxo. Atualmente, a quinta mantém-se já na 5.a geração da família de apelido Tello Rasquilha de Abreu, que fez a adaptação da quinta a um hotel rural a par com a continuação da atividade agrícola.

A quinta estrutura-se segundo vários eixos ortogonais, uns com alinhamentos de buxo de elevado porte, outros com pérgulas. Nos jardins encontram-se estátuas de figuras mitológicas e bancos em que prevalecem as cores branco e ocre. Um sistema de levadas percorre os jardins. O tanque com as duas estatuas gigantes encontra-se atrás da casa e, encostado a este, existe um jardim de buxo com flores de estação. Para a direita da casa, existem outros jardins, pomares e um bosque. Aqui encontra-se um grande lago com uma sereia ao centro e uma pequena casa de fresco com quatro arcos. A chegada a esta quinta tem um profundo efeito de surpresa e de encanto. Não perca a oportunidade de se instalar e de passear nos jardins apercebendo-se dos seus muitos recantos e encantos.

Rossio de Estremoz

Estremoz, cidade de mármore, foi concebida como uma praça militar, localizada a meia distância entre Évora e Elvas, ponto de encontro de diversas estradas nacionais. A cidade desenvolveu-se no interior das suas muralhas construídas durante os séculos XVII a XIX, ficando o castelo com a sua alcáçova na cidade alta. O rossio encontra-se na parte baixa e é um verdadeiro centro cívico que no seu entorno congrega um conjunto de estruturas de génese religiosa, que hoje integram outras funções de serviço público. O Rossio de Estremoz foi identificado no contexto da Rota dos Jardins Históricos de Portugal como a síntese e o exemplo mais emblemático dos rossios alentejanos. Envolto por um património arquitetónico e histórico de grande valor, como a Igreja de São Francisco, o Convento dos Congregados, o Convento das Maltezas, o Café Águias d’ Ouro ou o Lago do Gadanha, impressiona pela dimensão e pela estrutura.

O seu aspeto já foi bem diferente quando era um amplo terreiro ordenado por alamedas de árvores e serviria, além das funções que hoje mantém, de espaço de parada militar. O espaço de maior atividade encontra-se a sul, estando equipado com um coreto e um café, e ornamentado com alinhamentos de jacarandá, sendo o espaço da feira semanal. No restante entorno do recinto, prevalecem as laranjeiras.

No extremo noroeste, encontra-se o Jardim Público e junto a este o impressivo Tanque do Gadanha, construído nos finais do século XVII, quadrado com cerca de 40 metros de largura, tendo ao centro a estátua do ‘Gadanha’, originária do Convento dos Congregados, e para aqui transposta em meados do século XIX, sendo que originalmente representava Saturno, mas venceu o nome desde então dado pela população. Na proximidade encontra-se ainda a Fonte das Bicas, provavelmente construída no século XVI, com uma taça adornada por oito gárgulas com cabeça de leão que deitam água para um tanque octogonal.

Santuário de Nossa Senhora da Penha

Fica no alto de um monte, sobranceiro à vila de Castelo de Vide. A ermida localizada no ponto mais alto foi construída no século XVI e acede-se a ela por uma longa escadaria que termina no pequeno adro da ermida, pontuado por um cruzeiro, colocado no início do século XX. Situada em pleno Parque Natural de São Mamede, as vistas do adro que envolve a ermida são notáveis, sendo de destacar a vista de conjunto de Castelo de Vide e os alinhamentos das cristas quartzíticas emergentes nas encostas graníticas arborizadas da serra de São Mamede.

Na base da escadaria, encontra-se um singelo parque de merendas com um pequeno bosque e uma fonte. A meio da escadaria, encontra-se um assento de pedra em que a tradição manda sentar e pedir desejos. Tem a seguinte quadra inscrita: “Cadeirinha de Nossa Senhora,/ Cadeirinha do meu bem;/Onde se sentou Nossa Senhora/Sento-me eu também”. O lugar faz apelo à lenda que sustenta a existência da ermida, segundo a qual andava um dia um pastor a guardar o rebanho e viu um grupo de ladrões que queriam as suas ovelhas. Invocou Nossa Senhora e ela apareceu-lhe montada num burrinho, transformou o dia em noite, e o roubo não aconteceu.

Santuário do Senhor Jesus da Piedade

Fora de muros da cidade de Elvas, seguindo a Avenida da Piedade, acede-se ao Santuário do Senhor Jesus da Piedade, lado a lado com o parque da Piedade onde anualmente decorre a Feira de São Mateus, em 20 de setembro. O recinto do santuário é murado e a igreja encontra-se com a fachada orientada para a cidade, antecedida por um adro e pelo terreiro da Fonte da Fé, espaço arborizado, sobrelevado e murado, construído em 1831, com uma fonte em mármore ao centro constituída por um pequeno tanque circular com pedestal encimado por uma estátua feminina simbolizando a Fé.
Do adro da igreja acede-se por uma escadaria ao parque da Piedade, com o seu lago, coreto e conjunto arbóreo, existindo ainda um imenso espaço de arraial. A atual igreja foi construída em 1753 para substituir a Ermida do Senhor Jesus da Piedade aqui construída em 1737. Na sua traseira, encontram-se a fonte do Senhor Jesus da Piedade e o chafariz da Piedade. Para melhor se compreender a espacialidade deste lugar é preciso associá-lo à célebre procissão dos Pendões que sai da Sé de Elvas, acompanhada dos estandartes das confrarias do concelho, que reúne milhares de participantes que uma vez chegados ao santuário dão a volta à igreja.

Villa Romana de Torre de Palma

Torre de Palma corresponde a uma vasta herdade em Monforte, concelho com sinais muito antigos de presença humana. A Herdade da Torre da Palma, hoje distribuída por vários proprietários, espelha precisamente esta condição tendo-se a sua ocupação prolongado muito para além do período romano. Aqui, a escassas centenas de metros, existem dois locais distintos, mas que, no entanto, se complementam para a interpretação da herdade: o Sítio Arqueológico de Torre de Palma e o Torre de Palma Wine Hotel, inaugurado em 2014.

O Sítio Arqueológico de Torre de Palma apresenta as ruínas de uma villa rústica onde terá vivido uma poderosa família romana, os Basílii, talvez desde o século II até ao século IV da nossa era, explorando um vasto latifúndio que incluía um enorme complexo de construções agrícolas com lagares e celeiros. Este era também um local de lazer e de vilegiatura dos seus proprietários havendo testemunhos disso. A villa foi alvo de várias campanhas arqueológicas e atualmente dispõe de um Centro de Acolhimento e Interpretação.

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