Jardim

O que distingue os jardins portugueses

“O perfume, a sombra, as árvores e os arbustos de folhagem permanente foram sempre característicos dos nossos jardins antigos.” (F. Caldeira Cabral)
Jardins da Casa de Juste, Lousada  (©António Sachetti)

Jardins da Casa de Juste, Lousada (©António Sachetti)

As mais antigas referências apontam para a existência de jardins na remota antiguidade, como se comprova nos baixos relevos egípcios. Desde a sua origem são locais considerados privilegiados pela tranquilidade e exuberância da vegetação. Quais as características do jardim tradicional português? A intimidade e estreita ligação com a casa; os alegretes e azulejos; as latadas e pérgulas para sombra e/ou enquadrar vistas, ornamentadas com trepadeiras como a glicínia, a buganvília e a vinha-virgem; predominância de árvores e arbustos de folha persistente como a tília, a laranjeira, o buxo e a murta, por vezes, estas últimas plantas constituem uma sebe distinguida pela arte da topiária; plantas de floração luxuriante, como jacarandás, olaias, roseiras, camélias, azáleas e rododendros; e a presença da água através dos seus diversos sistemas hidráulicos (e.g., fontes, tanques, lagos, caleiras). Conforme considerou o pioneiro no estudo e no ensino da Arquitetura Paisagista em Portugal: “O perfume, a sombra, as árvores e os arbustos de folhagem permanente foram sempre característicos dos nossos jardins antigos” (Caldeira Cabral, F., 1993). Na página ao lado pode conhecer plantas tradicionais dos nossos jardins.

CAMELLIA SP. (CAMÉLIA, JAPONEIRA)

Família: Theaceae.
Arbusto ou pequena árvore, elegante, de folhas persistentes, com origem do Japão, Ásia Oriental e Oceânia. Existem mais de 250 espécies de camélias, sendo que as suas características variam de espécie para espécie. Embora as suas folhas de cor verde-escura brilhante, e textura coriácea, enfeitem o jardim durante todo o ano, é na época de floração que as cameleiras se destacam nos jardins. Podem ser de várias cores. como branca, rosa e escarlate. As suas flores de aspeto requintado podem chegar a medir mais de 13 cm. Conforme a sua variedade a flor pode ser simples, semidobrada ou dobrada. As camélias podem florescer desde o outono até maio.

camélia

camélia

WISTERIA SINENSIS (SIMS) SEET (GLICÍNIA)

Família: Fabaceae.
As glicínias, com as suas “cascatas” de flores lilases, invadem os jardins com a sua beleza e a sua fragrância. É um arbusto trepador de folha caduca e crescimento lento, originário da China. As suas flores odoríferas de cor lilás dispõem-se em cachos pendentes (30 cm), que surgem antes da rebentação da folha. As suas folhas são alternas, compostas (7-13 folíolos elíptico-ovados), de cor verde-escura. Os seus frutos são vagens pendentes de textura aveludada.

ROSA L. (ROSA)

Família: Rosaceae.
A roseira é uma das plantas mais populares do mundo; desde há mais de 2000 anos que é muito apreciada quer pela sua simbologia quer pela sua beleza nos jardins. Por ser uma planta tão apreciada, tem sido um desafio para os botânicos, jardineiros e especialistas a criação de diferentes roseiras. O género Rosa tem cerca de 150 espécies diferentes e milhares de variedades, híbridos e cultivares. São arbustos ou trepadeiras, providos de acúleos e com flores de uma beleza extrema com uma grande diversidade de portes, formas e flores com diferentes números de pétalas, cores e fragrâncias.

Rosa

Rosa

CITRUS SINENSIS (L.)
OSBECK (LARANJEIRA-DOCE)

Família: Rutaceae.
Árvore de porte médio, com a copa arredonda ou oval, originária da China. As suas folhas são simples, de forma elíptica e coriáceas. As suas flores, brancas ou rosadas, são extremamente aromáticas e começam a despontar durante o mês de março. O seu fruto, comestível, é a laranja.

BUXUS SEMPERVIRENS L. (BUXO)

Família: Buxaceae.
Arbusto alto perenifólio, ocasionalmente uma pequena árvore quando podado para o efeito. Originário da região mediterrânica. Folhas opostas-cruzadas, rijas, brilhantes e de pecíolo curto. Flores pequenas agrupadas na axila das folhas superiores, com pouca representatividade. É um arbusto muito utilizado em sebe, bordadura, vaso, floreira. Geralmente, é uma sebe talhada ou topiada.

buxo

Buxo

MYRTUS COMMUNIS L. (MURTA)

Família: Myrtaceae.
Arbusto aromático de folha persistente, originário da região mediterrânica e norte de África. Folhas opostas ovadas-lanceoladas, verde-escuras na página superior e verde-claras na página inferior, brilhantes e aromáticas. Flores completas, aromáticas com floração na primavera. Fruto uma baga azul-escura.

 

Curiosidade

A topiária é uma arte de “esculpir” as plantas com formas ornamentais, ou seja, dar forma com podas periódicas (de modo a assegurar o tamanho e a forma idealizada). Há registos da prática de topiária pelo menos desde o tempo dos Romanos. No entanto, esta arte foi retomada com sucesso no renascimento italiano e enaltecida por André Le Nôtre (1613-1700), quando criou os jardins de Versalhes, em 1662, através de arbustos em formas cónicas e piramidais. Mais tarde, no século XIX, em Inglaterra, a topiária dos arbustos assume formas arredondadas, meias-luas e arcos, entre outras. No século XXI, a topiária continua a ser muito apreciada na arte dos jardins. Além do buxo,
muitas outras espécies se utilizam nesta arte de podar a destacar: murta (Myrtus communis L.), ligustro (Ligustrum sp.), escalónia (Escallonia sp.) e loureiro-real (Prunus laurocerasus L.).

 

Referência bibliográfica:
Azambuja, S. T., 2009. A Linguagem simbólica da natureza. Nova Veja: Lisboa
Caldeira Cabral, F., 1993. Fundamentos da Arquitectura Paisagista. ICNF: Lisboa

 

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