Ornamentais

Um verão à sombra

O desafio é conhecer algumas árvores com sombra fresca e suaves fragrâncias que nos confortam num dia quente de verão.

À sombra das árvores

Muito provavelmente, o leitor já teve a oportunidade de usufruir, numa tarde de sol, da sombra de uma árvore para fazer um piquenique, ler, conviver, praticar desporto ou simplesmente contemplar a paisagem. O desafio que deixamos este mês é o de encontrar nos jardins e arruamentos das nossas cidades exemplares das espécies descritas este mês – figueira-estranguladora, magnólia, bela-sombra, pinheiro-manso e tília-de-folhas-pequenas – e que se deixe surpreender pelas suas agradáveis sombras e pelas suaves fragrâncias num  dia quente de verão.

FICUS MACROPHYLLA ROXB. & BUCH.-HAM. EX SM.

Figueira-da-Austrália ou Figueira-estranguladora

Árvore perene, nativa das florestas chuvosas da costa leste da Austrália, vulgarmente conhecida como a figueira-da-austrália ou figueira-estranguladora. Caracteriza-se pelo seu porte emblemático e copa arredondada. Apresenta um tronco com ritidoma acinzentado e um sistema radicular imponente e escultórico. Geralmente tem raízes aéreas, que saem dos ramos e, ao atingir o solo, engrossam em troncos complementares para apoiar a copa da árvore. As suas folhas são de grande dimensão, com 15-30 cm de comprimento, elípticas, coriáceas, de cor verde-escura e dispõem-se alternadamente nas hastes. As suas infrutescências, os sícones, são designadas vulgarmente por figos. Os figos têm 2-2,5 cm de diâmetro e a sua cor muda de verde para roxo quando amadurecem. Embora sejam comestíveis, os seus frutos são de gosto desagradável e seco.

Família: Moraceae.
Porte: Até 60 metros.
Propagação: Semente, estaca.
Época de plantação: Primavera.
Condições de cultivo: Planta fácil de cultivar, desenvolve-se bem na presença de total ou parcial exposição solar e solos húmido bem drenados. Não tolera bem o frio; é uma espécie acostumada às altas temperaturas da região australiana. Embora seja capaz de vingar em solos ligeiramente ácidos e alcalinos, desenvolve-se melhor quando em condições de pH neutro.
Manutenção e curiosidades: Devido ao seu porte e ao seu fácil cultivo, é uma espécie utilizada em jardins e parques. Quanto estabelecida, não é uma planta muito exigente ao nível da rega, sendo aliás bastante resistente à seca. O seu epíteto específico macrophylla é de origem grega e significa folha grande (makros = grande e phyllon = folha).

Ficus macrophylla

Ficus macrophylla

MAGNOLIA GRANDIFLORA L.

Magnólia

Árvore perenifólia, de copa ampla, originária da América do Norte. As folhas são simples, de forma elíptica, e coriáceas. Na página superior são de cor verde-lustrosa e, na página inferior, cinzento-avermelhada. Começam a despontar as suas exuberantes e perfumadas flores brancas de grandes dimensões, que podem atingir os 20 cm de diâmetro. Apesar de o seu fruto se assemelhar a uma pinha, é na realidade um conjunto de folículos agrupados numa estrutura lenhosa.

Família: Magnoliaceae.
Porte: 9-25 metros.
Propagação: Semente, estaca.
Época de plantação: Primavera e no outono
Condições de cultivo: Exposição total ou parcial, muito sensível à geada. Prefere solos com pH neutro ou ácido, bem drenados.
Manutenção e curiosidades: É atreita a pragas, como é o caso das lesmas (primavera), e a doenças como o oídio, que pode levar à desfolha da árvore. A fragrância da sua flor magnólia é proveniente dos estames e não dasnpétalas. A casca é utilizada para fins medicinais e para marcenaria.

PHYTOLACCA DIOICA L.

Bela-sombra

Arbusto ou pequena árvore perenifólia, originária da América do Sul. À medida que a planta envelhece, a base do tronco vai alargando, tornando-se cada vez mais retorcido e irregular. Mas a Phytolacca dioica não se destaca apenas pela dimensão do seu tronco, destaca-se sobretudo pelas suas grossas raízes que emergem, particularidade que a torna uma espécie ainda mais curiosa. As suas folhas são simples, ovais, acuminadas (12 cm). Tal como o epíteto indica, a bela-sombra é uma planta dioica, ou seja, existem plantas femininas e plantas masculinas. As suas flores despontam durante os meses de maio e junho, em aglomerados pendulares de cor verde (flores femininas) e branca (flores masculinas). O fruto é uma baga carnuda de forma arredondada que adquire a cor púrpura quando madura.

Família: Phytolaccaceae.
Porte: Até 12 metros.
Propagação: Semente, divisão de toiça.
Época de plantação: primavera.
Condições de cultivo: É uma planta fácil de cultivar, bem-sucedida na maioria dos solos calcários neutros, férteis e que garantam condições de humidade. Prefere situações de sol ou meia-sombra.
Manutenção e curiosidades: O tronco da bela-sombra atinge facilmente sete metros de diâmetro. O nome Phytolacca vem do grego phyton (planta) e do italiano lacca (verniz-laca) em alusão à cor púrpura do seu fruto. Todas as partes da planta adulta são venenosas, incluindo os frutos.

Phytolacca dioica

Phytolacca dioica

TILIA CORDATA MILL.

Tília-de-folhas-pequenas

Árvore caducifólia, com copa ampla e regular, com crescimento lento. Caracteriza-se pela sua casca cinzento-escura, lisa ou fendida longitudinalmente nos exemplares mais velhos. Originária do centro e sul da Europa e oeste da Ásia. Folhas com 3-6 cm de comprimento, cordiformes e um pouco assimétricas na base, de cor verde-escura e glabras na página inferior. As suas flores são pequenas, de cor branca/creme ou amareladas, muito aromáticas e reunidas em cimeiras (inflorescência com o eixo principal de crescimento limitado) com quatro a 15 flores e com floração de julho a agosto. Fruto com cerca de 6 mm, globoso. É uma espécie muito utilizada quer pelo seu valor estético quer pela agradável sombra perfumada que proporciona.

Família: Malvaceae.
Porte: Até 30 metros.
Propagação: Semente, estaca ou mergulhia.
Época de plantação: Fevereiro-março.
Condições de cultivo: Solos férteis, profundos, frescos e leves; suporta a sombra.
Manutenção e curiosidades: A doença mais frequente que atinge a tília manifesta-se pela queda precoce das folhas durante o verão. Esta doença é, provavelmente, fisiológica e ocorre preferencialmente nas plantações de rua, perto de edifícios onde as folhas atingem temperaturas elevadas. Também são suscetíveis a pragas como os afídios e aranhas. As infeções causadas pelos afídios produzem uma fuligem que cai das árvores junto com o orvalho. As aranhas atacam as árvores em períodos secos durante o verão. Cultiva-se com frequência por ser uma das árvores que proporciona uma sombra agradável. As tílias apresentam diversas utilidades, como a propriedade calmante da infusão das suas folhas e brácteas; a casca tem propriedades para fins medicinais, esta mesma casca é utilizada para obtenção de fibras empregues na confeção de cordas. A sua madeira é macia e leve, de textura uniforme, excelente para ser talhada, pelo que é muito utilizada por escultores e fabricantes de estatuetas.

Tilia cordata

Tilia cordata

PINUS PINEA L.

Pinheiro-manso

Árvore resinosa de folhas perenes que se caracteriza morfologicamente pelo seu tronco geralmente direito, castanho-avermelhado, espesso, com fendas profundas. A sua copa é densa, arredondada em jovem e, aplanada em adulta, assemelhando-se a um guarda-sol. As suas folhas
são aciculares (conhecidas por agulhas), com 10-20 cm de comprimento e, agrupam-se em pares. As suas flores são unissexuais: as masculinas agrupadas na base dos raminhos jovens, e as femininas agrupadas nos ápices dos raminhos novos ou em verticilos abaixo do ápice. A floração ocorre geralmente entre março e maio. O seu fruto é a pinha – solitária ou em grupos de dois ou três – com uma semente comestível, o pinhão. As pinhas amadurecem ao fim de três anos, e libertam os pinhões na primavera do quarto ano.

Família: Pinaceae.
Porte: Até 30 metros.
Propagação: Semente.
Época de plantação: Primavera e outono.
Condições de cultivo: Geralmente pleno sol ou meia sombra, em qualquer solo, desde que bem drenado.
Manutenção e curiosidades: Espécie de fácil manutenção. O número de agulhas é uma forma interessante de distinguir diferentes espécies de pinheiro: 1 agulha (Pinus monophylla); grupos de 2 agulhas (P. pinea, P. pinaster, P. halepensis, P. nigra, P. sylvestris); grupos de 3 agulhas (P. canariensis, P. radiata) e grupos de 5 agulhas (P. cembra, P. strobus, P. Wallichiana). Os pinheiros de origem americana possuem escamas mais brandas, enquanto os outros possuem escamas mais lenhosas. Possuí propriedades medicinais, sendo utilizado como balsâmico para curar doenças respiratórias. Para além de um elevado valor ecológico e estético, o pinheiro-manso proporciona conforto urbano que facilita a comunicação.

 

Texto: Ana Luísa Soares e Ana Raquel Cunha, com a colaboração de Teresa Vasconcelos

 

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