Conhece o primeiro Jardim Botânico de Portugal?

Jardim Botânico da Ajuda, património botânico, paisagístico e cultural com mais de 250 anos
Jardim Botânico da Ajuda

Jardim Botânico da Ajuda

Na edição deste mês, destacamos exemplares arbóreos que marcam a diversidade e riqueza do património paisagístico do primeiro jardim botânico de Portugal, o Jardim Botânico da Ajuda (JBA), criado em 1768. Com uma diversidade botânica de cerca de 1100 espécies, correspondentes a 150 famílias, o JBA está estruturado em cinco áreas: o terraço superior, o terraço inferior, o jardim dos aromas, a zona da mata e as estufas.Visitar este jardim permite-nos “viajar” pelo mundo e conhecer plantas oriundas de diversas áreas fitogeográficas: América do Sul, Austrália e Nova Zelândia, Região Macaronésica, Europa Central e Atlântica, Ásia, América do Norte e Central, Região Mediterrânica e África. O jardim alberga diversas coleções como as de palmeiras, figueiras e araucárias. A estas coleções acrescem exemplares arbóreos emblemáticos pelo seu porte ou que apenas existem neste jardim e que descrevemos este mês: dragoeiro, araucária-de-norfolk, jacarandá, Schotia, albízia-de-constantinopla, oliveira-do-paraíso e Beaucarnea stricta.

Dracaena draco L. (dragoeiro)

Família: Asparagaceae. Origem: Região Macaronésica. Porte: Até 8 metros. Propagação: Por semente.

Árvore perenifólia de folhas ligeiramente suculentas, de limbo linear estreitando para o ápice, de cor verde acinzentada e textura coriácea, reunidas nas partes terminais dos ramos. As flores branco-esverdeadas aparecem no início da primavera, e os seus frutos, bagas quase esféricas, no início do verão. É uma espécie muito resistente à seca. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), esta espécie encontra-se em grande perigo no seu habitat natural. Apesar disso, é uma espécie muito utilizada em jardins, devido ao seu porte e beleza. Acredita-se que o naturalista Domingos Vandelli (responsável pela instalação do Jardim Botânico da Ajuda), quando, em 1768, publicou a Dissertatio de arbore draconis, tenha utilizado o emblemático dragoeiro do JBA para descrever o taxon, sendo este provavelmente um dos exemplares mais antigos do jardim.

Atendendo às suas características singulares, este exemplar foi escolhido para ser o logótipo do jardim, aquando do restauro do jardim realizado em 1993. Desde 2006, este dragoeiro, com cerca de 23 metros de copa, é suportado por uma estrutura em ferro, pelo facto de a planta se encontrar fragilizada, sendo o suporte a solução encontrada por um especialista.

Dracaena draco

Dracaena draco

Araucaria heterophylla (Salisb.) Franco (araucária-de-norfolk, pinheiro-de-norfolk)

Família: Araucariaceae. Origem: Ilha de Norfolk. Porte: Até 70 metros. Propagação: Por semente e por estaca (rebentos do tronco).

Árvore perenifólia, com copa piramidal, geralmente regular e simétrica, originária da Ilha de Norfolk. Tronco colunar, até 1,75 m de diâmetro, com pernadas regularmente verticiladas horizontais e de ritidoma castanho-escuro, rugoso, desprendendo-se em tiras horizontais em árvores novas e, nas adultas, em pequenas escamas. Folhas polimórficas, dispostas em espiral, verdes, brilhantes; as dos indivíduos novos diferentes dos das plantas adultas, nos indivíduos novos, aciculares. Flores unissexuais, as masculinas amarelo-acastanhadas a amarelo-avermelhadas, inseridas em raminhos jovens laterais, e as femininas inseridas em raminhos curtos. A sua frutificação é um estróbilo, vulgarmente designado por pinha. Segundo o UICN, a sua situação é vulnerável (VU). A Araucaria heterophylla, plantada no tabuleiro inferior do Jardim Botânico da Ajuda, junto da fonte das 40 bicas, é sem dúvida um dos espécimes mais emblemáticos do jardim.

Jacaranda mimosifolia D.Don (jacarandá)

Família: Bignoniaceae. Origem: América do Sul. Porte: Até 15 metros. Propagação: Por semente ou estaca.

Árvore caducifólia, de copa oval ou irregular, originária das regiões secas da América do Sul. As suas folhas são recompostas e imparifolioladas, de cor verde-escura. Possui flores roxas que se assemelham a pequenos sinos, agrupadas em panículas piramidais, podendo reunir mais de 50 flores. A época de floração do jacarandá é durante os meses de maio e julho, e, geralmente, as suas primeiras flores nascem antes das folhas. O seu fruto é uma cápsula, lenhosa de cor castanha, muito semelhante a uma “castanhola”. No Jardim Botânico da Ajuda, o alinhamento de jacarandás do tabuleiro superior emoldura o caminho e convida-nos à contemplação do estuário do Tejo.

Jacaranda mimosifolia

Jacaranda mimosifolia

Schotia afra Thunb.

Família: Fabaceae. Origem: África do Sul. Porte: 5-6 metros. Propagação: Por semente.

Árvore perenifólia, de ramos rígidos e tronco retorcido, com folhas compostas de folíolos pequenos e elípticos. As suas flores, de cor vermelho-brilhante a rosa, reúnem-se em pequenos cachos que, em Portugal, aparecem entre junho e julho. A sua frutificação é uma vagem redonda com cerca 3 cm de largura, de cor verde, que se torna castanha quando madura.

Este exemplar de Schotia afra tem mais de 180 anos. Tudo indica que terá resultado de uma troca de sementes entre jardins botânicos durante o século XVIII. O seu registo encontra-se referido na listagem do jardim incluída no catálogo publicado pela Academia Real das Ciências em 1839 (Compêndio de Botânica, de Félix Avelar Brotero, o 2.º diretor do JBA). Localizado no tabuleiro superior do jardim, destaca-se pela sua beleza e monumentalidade, com uma copa com mais de 20 metros de diâmetro, a que acresce a sua generosa sombra e bonita floração. A emblemática Schotia afra do JBA é o único exemplar vivo num jardim botânico europeu e foi uma das árvores finalistas no concurso europeu Árvore do Ano em 2021.

Albizia julibrissin durazz (albizia-de-constantinopla)

Família: Mimosaceae. Origem: Irão, Paquistão, Himalaia, China, Japão. Porte: Até 6 metros. Propagação: Por semente, rizoma e estaca.

Árvore caducifólia, de copa arredondada a subplana, originária das regiões da Ásia Temperada e Tropical. As suas folhas são alternas, bipinuladas, de cor verde-clara, com flores rosadas, de corola tubulosa e estames numerosos muito compridos, dispostas em cachos compostos de umbelas. A sua época de floração é de junho a setembro. O fruto da albízia é uma vagem oblonga, direita, de extremidades acuminadas, geralmente com dez a 15 sementes. Titular de valor ornamental, é considerada invasora em Portugal, de acordo com o decreto-lei 92/2019.

Albizia julibrissin

Albizia julibrissin

Eleagnus angustifolia L. (oliveira-do-paraíso)

Família: Elaeagnaceae. Origem: Região Mediterrânica Oriental. Porte: Até 5 metros. Propagação: Por semente.

Arbusto ou árvore caducifólio, com copa muito ramosa e densa, rebentos por vezes com espinhos, originária da Região Mediterrânica Oriental. Tronco ereto com ritidoma castanho escuro, com fissuras após alguns anos ou caule irregular, ramos castanho-avermelhados. As suas folhas são alternas, simples, inteiras, oblongo-lanceoladas, de cor verde-acinzentada. Possui flores amareladas, aromáticas, inseridas nos ramosmdo ano, agrupadas em grupos de 2-3, que despontam geralmente logo no início da primavera (abril). O fruto é uma pseudodrupa carnuda, elipsoide, amarelo-avermelhada, de maturação anual.

Beaucarnea stricta Lem.

Família: Asparagaceae. Origem: México e Guatemala. Porte: 6 a 10 metros. Propagação: Por semente ou estaca.

Árvore ou arbusto dioico, com tronco alargado na base, podendo atingir um diâmetro na base até quatro metros. Folhas perenifólias, lineares, inteiras, rígidas com bordas finamente serrilhadas, 50 a 80 cm de comprimento, de cor azulada. Tanto as plantas masculinas como as femininas, possuem pequenas flores branco-amareladas, reunidas em panículas. O fruto é uma cápsula elíptica, indeiscente, ou seja, não abre espontaneamente na maturação.

 

Texto: Ana Luísa Soares e Ana Raquel Cunha, com a colaboração de Teresa Vasconcelos

Fotografias: Ana Raquel Cunha

 

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