Jardins

O clima nos jardins: Festival de Jardins de Ponte de Lima 2018

O município inaugurou, em junho de 2005 o 1.º Festival de Jardins, com o objetivo de dar a conhecer o Concelho de Ponte de Lima, com um evento com capacidade de atração para a arte dos jardins e para as questões ambientais.

Este festival sempre decorreu no parque de recreio, ou Jardim dos labirintos na margem direita do Rio Lima, onde estão integrados os 12 jardins efémeros e desde 2014 o Festival das Escolinhas. Neste parque encontramos as piscinas municipais de ar livre, uma cafetaria, um restaurante (O Açude) e zonas verdes assentes na antiga estrutura rural de divisão da propriedade. No clube náutico, projetado e construído aquando da requalificação das margens do rio Lima, a canoagem sofreu um grande impulso; daqui saiu o campeão nacional Fernando Pimenta.

O clima nos Jardins

As alterações climáticas resultantes da intervenção humana e de um consumo excessivo de recursos naturais estão patentes em diversos fenómenos naturais extremos e extemporâneos, que acontecem em todo o mundo. Se não invertermos o paradigma energético, diminuindo a emissão de gases com efeito de estufa, o futuro na Terra estará ameaçado.

Portugal atravessa um período dramático e representativo das consequências de um clima já em mudança, com fenómenos recorrentes de seca extrema, temperaturas elevadas, abrindo o caminho aos dramáticos fogos florestais que reduzem a cinzas vários milhares de hectares de floresta, e que causaram inúmeras vítimas no ano transato. A adaptação às alterações climáticas, a prevenção e o planeamento de uma floresta resiliente têm de ser uma prioridade. Porque também queremos “Portugal neutro em carbono em 2050”, o caminho tem de ser feito através da sensibilização ambiental e de medidas ativas e coerentes nesse sentido. Este festival pretende ser um pequeno contributo nessa árdua tarefa.

Inauguração do Festival

Foi a 25 de Maio a abertura oficial da 14.ª edição do Festival de jardins. Foi uma Inauguração conjunta das 11 propostas escolhidas (entre 46 rececionadas), e o Festival das Escolinhas, que celebra a sua 4.ª edição. Estão expostas criações dos seguintes países: Alemanha, Argentina, Áustria, Espanha, Holanda, Inglaterra, Itália e Portugal, que a seguir descreveremos, também com a finalidade de despertar o interesse por uma visita ao Festival e a Ponte de Lima; refira-se como curiosidade que os jardins recebem cerca de 2000 visitantes a cada fim de semana.

1- Antropia no Jardim (Portugal)

Tufões, secas e degelo, estão metaforicamente representados no jardim como forma de alerta para as consequências nefastas da actividade humana sobre o planeta. Os espaços naturais surgem cada vez mais isolados; aparecem como ilhas no meio do caos. Imagens cada vez mais realistas.

2- O jardim de microclimas (Holanda)

Este jardim representa diferentes microclimas concebidos para aumentar a nossa consciência da paisagem rural da região e da sua importância. Um lago, rio ou pântano, montanha ou deserto, floresta autóctone, ou simplesmente um prado de flores silvestres, transportam-nos para microclimas ecológicos, com a biodiversidade à escala do jardim. Uma inspiração para a acção de criar o seu próprio ambiente.

3- Círculo verde (Toscana-Itália)

Este é um projecto inspirado na Floresta Vertical de Milão; “três jardins desenvolvidos na vertical, dispostos num círculo também vertical e todos com a mesma altura”. Um banco circular no interior deste cilindro verde, permite observar os vários jardins. A mensagem desta criação é a de que podemos ter um jardim sustentável, com o menor impacto ambiental possível e, assim, podermos reagir a diferentes escalas, às mudanças climáticas no planeta.

4- Controle climático (Inglaterra)

A escultura do vento em hélice, capta a nossa atenção e estimula a imaginação, pois é também o farol que atrai os visitantes; a cortina de chuva por sua vez é refrescante. O clima é composto por estes elementos que determinam a nossa vida no planeta, assim como a diversidade da fauna e da flora aqui presente, com inúmeras espécies que certamente irão adaptar-se às alterações climáticas.

5- Estaciones que prendem (Argentina)

“Um convite para que faça parte do clima”. As estações do ano estão representadas em pavilhões, dispersos na “natureza” e que encerram códigos que nos remetem para os ciclos da vida. Um projecto interactivo e sensorial reflectido nos cabos que unem os vários módulos, como o tempo que “prende” as estações do ano.

6- Atitudes (in)conscientes (Portugal)

“Procurai deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrastes” Baden Powell – Fundador Mundial do Escutismo A poluição dos lagos e dos rios, tal como a atmosférica e o consequente efeito de estufa, assim como os fogos florestais que nos assolam causando perdas humanas e patrimoniais. Estamos perante uma chamada de atenção para as consequências das alterações climáticas, através da natureza dos jardins.

7- O espelho do pensamento (Inglaterra)

Vários poços de água límpida ou escura, materializam o início da vida ou a poluição que a destrói. Os espelhos reflectem as nossas acções no meio ambiente e impõem uma reflexão sobre o mesmo. A esperança está patente nos cravos vermelhos que simbolizam a força da reconstrução.

8- Utopia ecológica (Portugal)

Uma reflexão sobre as alterações climáticas e o que podemos fazer enquanto indivíduo, para minimizar os seus efeitos. Como? Fazendo uma utilização racional dos recursos naturais ao nosso alcance, construir e habitar de uma forma sustentável. A instalação aqui exposta — como que um “edifício”, é uma estrutura metálica, revestida com trepadeiras, uma metáfora da simbiose que podemos estabelecer com a Natureza.

9- NovaTerra (Espanha)

Vencedor de 2017, eleito pelos visitantes. “Jardins As Descobertas” era o tema do ano anterior; este autor “transportou-se” numa caravela portuguesa, deu novos mundo ao mundo, carregou plantas de vários climas e propagou-as por muitos continentes. “Muitas plantas autóctones da América chegaram à Europa, proporcionando novos alimentos. Um regresso ao passado que marcou o nosso presente económico e ambiental.

10- O museu do passado (Aústria)

O Deserto, a Floresta Boreal e a Tropical, são três biomas do nosso planeta. Aqui estão representados e encerrados em estufas nos Jardins de Ponte de Lima. Uma metáfora para um futuro que se avizinha, caso não mudemos a nossa atitude predadora sobre os recursos naturais terrestres, no sentido de evitarmos “um colapso global”.

11- Criado pela natureza (Alemanha)

Reforçar a ligação entre o Homem e a Natureza é a mensagem aqui expressa. Através de pequenos actos, da criação de pequenos jardins, observando o seu desenvolvimento, o crescimento das plantas, as suas necessidades, os benefícios obtidos; estes conhecimentos irão mudar a nossa percepção sobre o clima, sobre a ecologia, num âmbito mais alargado. Viver com e para a Natureza, de uma forma sustentável é a motivação que daqui levamos.

12- Um passeio pelo clima (Espanha)

Uma estufa é o local de aclimatação de espécies oriundas de outros continentes, de outros climas. Uma criação humana de grande relevância ambiental. O clima semidesértico, com as plantas suculentas e cactos; de montanha com as coníferas, tropical com plantas aquáticas entre outras espécies e Subtropical com as epífitas, poderão ser reproduzidos em qualquer região… Por sua vez o termo “ efeito de estufa” revela a face negra da acção do Homem sobre o meio ambiente.

Vitor Mendes, presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima realça que “as edições de 2018 do Festival Internacional de Jardins (FIJ) e do Festival de Jardins Escolinhas, face à tragédia vivida em Portugal na sequência dos incêndios florestais do ano transato e às dificuldades que se colocaram ao País devido ao episódio prolongado de seca, revelam a importância de um dos principais objetivos do FIJ  “conferir um contributo pedagógico, de mobilização e de sensibilização da população, sobretudo das camadas mais jovens, para a arte dos jardins e para os problemas ambientais”.

Fotos: Elsa Severino

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