Viagens

O parque fronteiriço de Cieszyn e Český Těšín

Rio Olza funcionando como uma fronteira natural entre a Polónia e a República Checa (vista desde o parque).

Um exemplo de cooperação fluindo pelo rio Olza

A cidade de Cieszyn dividiu-se, em 1920, entre a antiga Checoslováquia e a Polónia – funcionando como fronteira natural o rio Olza. Após a separação da soberania territorial da cidade, a zona histórica manteve-se em solo polaco (a cidade de Cieszyn) e a área industrial confinou-se à Checoslováquia1 (a cidade de Český Těšín, atual República Checa).

Como resultado da queda do Sistema Soviético, foram restabelecidos os vínculos entre ambas partes. De facto, tais aproximações deram início a processos de cooperação institucional, numa primeira fase, e, posteriormente, à sua efetiva materialização. Em 1998, ambos governos e administrações locais, quer da República Checa quer da Polónia, formalizaram um acordo para fortalecer a coesão territorial e fomentar a cooperação entre regiões e cidades através da Euro-região Cieszyn Silesia.

A título de exemplo, podem salientar-se as seguintes iniciativas: esforços na recuperação de acessos e infraestruturas de acessibilidade, abertura de novos pontos fronteiriços ou ainda a criação do Parque Público Fron teiriço sob o rio Olza. Contextualmente, desde o ano 2000, é visível o desenvolvimento de projetos inerentes a cultura; preservação ambiental; novas práticas e abordagens de planeamento e ordenamento territorial; e/ou uma nova organização e planeamento relativo ao tráfico urbano e periurbano entre as cidades, bem como uma maior acessibilidade a pontos turísticos.

“(…) A FRONTEIRA NÃO DEVE SER COMPREENDIDA COMO ALGO LIMITANTE, mas sim encarada como um catalisador de crescimento e prosperidade entre populações”. Emil Gött

 

Dinâmicas cromatográficas e de funcionamento do espaço através da sazonalidade.

O parque – caraterísticas gerais e composição

O Parque de Cieszyn e Český Těšín, situado na fronteira Polaca-Checa, carateriza-se pela sua posição estratégica defensiva, sobre o rio Olza. Como transeunte, após uma entrada dramática no parque, através castelo de Cieszyn, expondo toda a sua componente militar e geoestratégica, deparamo-nos com extensas áreas de relvados com exemplares arbóreos caducifólios pertencentes ao bosque da Europa Central – promovendo nas sazonalidades de outono-inverno interessantes dinâmicas cromatográficas sob os relvados e espaços circundantes, proporcionadas pela queda da folha e/ou ainda pela neve que se faz sentir nestas latitudes do Velho Continente.

 

O parque compõe-se maioritariamente por espécimes caducifólias arbóreas e arbustivas nativas dos bosques primários locais. Numa posição central e cimeira do espaço, encontra-se a torre, o baluarte defensivo/vigia máximo da cidade. Considerando o minimalismo do espaço, amplas áreas relvadas abrem espaço a que elementos inertes artísticos sejam distribuídos pontualmente pelo espaço a fim de promover diferentes experiências e perceções – como é o caso dos elementos alusivos à fauna local, evidenciando-se não só pelos materiais construtivos, mas também pelo design cromatográfico incutido aos mesmos.

 

Elementos artísticos distribuídos pelo espaço

 

 

Neste sentido, um elemento incontornável no parque e embebido de História é a tão conhecida rotunda de S. Nicolas. Este peculiar elemento foi erguido dentro das muralhas da fortaleza, acima do monte do castelo. De facto, a rotunda de S. Nicolas ou de Cieszyn (como vulgarmente é designada) é tão relevante que é considerada um dos monumentos mais antigos da arquitetura polaca, estando representada na atual nota de 20 zlotys.

 

O parque têm sofrido, ao longo do tempo, diversas transformações e recuperações inerentes ao seu próprio desenvolvimento – sempre numa ótica da valorização paisagística e artística –, como disso é exemplo o projeto Revitalpark 2010, entre muitos outros.

Atualmente, através de um passeio pelo parque, é possível desfrutar não apenas da componente natural e de todos os benefícios providenciados pelos ecossistemas inerentes ao parque (exemplo do rio Olza), mas também percecionar toda a vivência do local, tal como o seu passado, presente e tendências de futuro – aqui, contribuindo em grande parte a cooperação transfronteiriça, construindo pontes e pontos de contacto entre populações, derrubando barreiras e privilegiando a cooperação à competição.

Agradecimentos

O presente artigo só foi possível graças não só as materiais cedidos. mas também à disponibilidade dos municípios de Cieszyn (Polónia) e Český Těšín (República Checa). O meu agradecimento a todos os envolvidos, em especial à amiga e colega Professora Doutora Joanna Kurowska-Pysz, assim como a ambas as presidentes das câmaras de Cieszyn e Český Těšín.

Endereço: Zamkowa 3, 43-400 Cieszyn, Polónia Entrada: Gratuita

Fotografias: Rui Alexandre Castanho

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