Jardins

O Parque dos Habsburgo

Caminhos pitorescos

O parque de Zywiec, património paisagístico da pitoresca cidade fronteiriça situada a sul do território polaco, desenrola-se de modo tentacular envolvendo as mansões das famílias abastadas residentes em Zywiec, principalmente da família Habsburgo.

Origem e história

Foi alvo de diversas transformações inerentes ao seu desenvolvimento – sempre numa ótica da valorização paisagística e artística. Deve salientar-se o primeiro estilo arquitetónico conferido ao parque – paisagismo barroco -, implementado pela família Wielopolski, no século XVII, ao estilo Italiano. Mais tarde, dinâmicas composicionais de fundo foram levadas a cabo no espaço na primeira metade do século XIX.

Dinâmica cromatográfica nas avenidas do parque

Desde então, um jardim ao estilo Inglês reconverteu um antigo paisagismo italiano dissimulando-se pela Casa da China, localizada na ilha dentro do parque – à data, o parque representava uma área de 26 hectares. As últimas alterações paisagísticas e de distribuição espacial no Parque foram realizadas por Alice Habsburgo na década de 30 do século passado.

Atualmente, através de um passeio pelo parque, é possível desfrutar de largas avenidas de espécies arbóreas caducifólias e perenifólias, criando dinâmicas cromatográficas únicas na estação outonal, deparar-se com elementos de água propositadamente disposto para permitir uma sensação de paz no transeunte, extensos prados floridos relevando todo o seu potencial na estação primaveril, elementos artísticos inertes pautando o espaço, diverso mobiliário urbano visando o conforto do utilizador, elementos de singulares de topiária, a fabulosa Casa da China – surpreendendo o turista pela sua incorporação num parque em plena Europa Central – e, sempre como pano de fundo o imponente palácio de Habsburgo e o castelo de Zywiec.

Vista desde o interior do Castelo para os Jardins simétricos, com o Palácio como pano de fundo.

Face ao exposto, a visita quer ao castelo quer palácio deve ser considerada, uma vez que é de elevada riqueza em termos culturais e artísticos, com destaque para as vistas do interior dos edifícios para os jardins.

Uma viagem retrospetiva ao parque

O primeiro jardim, datado do século XVII, projetado ao estilo italiano por Fransciszek Wielopolski e sua mulher, Anne Lubomirski. À época, o jardim encontrava-se abstraído do antigo castelo, a sudeste. Não obstante, sensivelmente no mesmo período, o jardim barroco foi fundado, dividindo-se em quartos geométricos, permitindo que os caminhos singrassem perpendicularmente. Nele, elementos decorativos tais como tapetes de flores, arbustos, estátuas em pedra ou ainda uma fonte, decoravam o espaço simétrico. Um canal de água atravessava o jardim, bem como uma pérgula, erguida na componente Sul do jardim.

O remanescente do jardim italiano é um monumento natural – uma circunferência de três metros de diâmetro de um carvalho inglês. De facto, segundo a lenda da cidade, este Quercus é o espécime arbóreo mais antigo de Zywiec.

Posteriormente, na época de Albrecht Habsburgo (1817-1895) várias fábricas foram sediadas na área do parque. O parque passou assim a ser  ser um importante espaço de empreendedorismo da região.

Aquando da aquisição do castelo e do Parque por Charles Stephen Habsburgo, foram feitas algumas alterações. Uma horta e um pomar, um palmeiral, uma estufa e uma casa de jardineiro foram implementadas; em sentido oposto a maioria das fábricas foram encerradas durante os primeiros anos de 1900. Neste período o parque foi ampliado para a sua dimensão atual de 26,4 ha).

Pontos de água, vista desde uma das pérgulas.

Após a morte de Charles Stephen (1933), Alice Habsburgo passou a gerir o parque. Contextualmente, convidou a Zywiec a famosa designer e paisagista Inglesa, Brenda Colvin. A paisagista, implementou inúmeros projetos no Parque. A título de exemplo: oito pontes de pedra inspiradas na arquitetura da Casa da China; novas soluções para o pátio externo nos vazios espaciais entre os castelos e o poço de pedra; uma sala de jardim à margem da clareira perto da elevação sul do castelo; um jardim de pedras e água e um rosário, chamado o Jardim de Sol pontuado por uma faixa arbórea próxima à casa da China.

O material vegetal do parque é imponente quer em termos de qualidade quer em quantidade. Contabilizam-se 7490 árvores (6237 decíduas e 1252 coníferas) e 388 arbustos e trepadeiras (incluindo 13 arbustos coníferos) – conferindo ao parque o estatuto de coleção dendrológica.

As árvores mais antigas com diâmetro superior a dez metros podem ser encontradas próximo ao castelo. Estas espécies têm idades compreendidas entre os 150 e os 300 anos.

A Casa da China

A Casa da China

A famosa Casa da China, está situada numa ilha na zona central do antigo Parque Inglês.

É o “centro” de todo o complexo histórico em Zywiec. Representa o elemento mais característico da arquitetura do jardim e, ao mesmo tempo, o elemento construído de maior longevidade.

Nos tempos da família Wielopolski, a Casa da China funcionava como um pavilhão de jardim; no entanto, a família Habsburgo transformou-a numa casa de recreio para os filhos. Após, a Segunda Guerra Mundial, passou a ser a sede da escola de tecnologia de materiais lenhosos que se instalou no parque do palácio. Entretanto, abrigou um café e uma galeria de pintura para artistas amadores, e atualmente, a Casa da China funciona como um café no verão.

O Rio Mlynówka

Este foi o mais antigo fluxo de água de caráter defensivo na periferia do castelo. Os canais de água que atravessam o parque, além do seu caráter medieval (de defesa), desempenharam ainda uma função industrial.

Numa primeira fase, e considerando que Zywiec é a capital da tão conhecida cerveja polaca de mesmo nome, o rio Mlynówka abasteceu as cervejarias do castelo e da cidade; mais tarde, durante o período da família Habsburgo, a sua energia moveu rodas de fábricas: de caixas de charuto, destilarias e fábricas de vinagre, entre outras infraestruturas industriais. Após 1900, o rio foi incorporado no paisagismo do parque, abastecendo o lago do parque.

Fotos: Rui Alexandre Castanho

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