Aromáticas e Medicinais

Peónia, jóia da flora mediterrânica

A peónia é uma verdadeira jóia da flora mediterrânica que floresce entre abril e junho. É útil no tratamento de pedras na vesícula, úlceras gástricas, espasmos do estômago e intestinos.

Descobria-a pela primeira vez na serra do Cicó e fiquei rendida à sua beleza e rusticidade – uma pérola entre pedras e ervas. A segunda vez, encontrei-a em Montemor-o- Novo. Inesperadamente, ali estava ela à sombra duma azinheira, salpicando a paisagem rústica e rica do montado Alentejano com um delicado cor-de-rosa e um dourado quase ofuscante dos seus estames salientes.

O seu nome vem do grego Péon que era o médico dos deuses gregos. Desde os tempos de Hipócrates que a peónia era utilizada para tratar problemas de epilepsia. Dióscorides revelou que a sua raiz poderia ser usada para provocar a menstruação e para ajudar a expulsar a placenta depois do parto.

Na medicina tradicional chinesa a raiz da P. branca com o nome de Bai Shao Yao (P.lactiflora) é muito usada e cultivada há mais de 1500 anos.

Na farmacopeia europeia é menos utilizada mas as variedades que aqui crescem também apresentam interesse medicinal nas folhas, flores e raízes.

Leia mais: 10 ideias para decorar com peónias

Descrição e habitat

Existem cerca de 30 espécies de peónias na Europa, China e América do Norte. Em Portugal, a mais comum é a P.broteri conhecida por rosa-albardeira, rosa-de-lobo ou peónia-macha. Também temos por cá a P.officinalis, que é menos frequente. Cresce na orla ou sob coberto de bosques (azinhais, sobreirais, cercais) e matagais perenifólios. Em substratos ácidos ou básicos, frequentemente em locais sombrios e pedregosos de norte a sul do País (flora-on.pt).

É uma herbácea perene, de folhas glabras, verde brilhante e de recortes profundos. Com flores solitárias algo semelhantes a uma rosa, estames numerosos e sementes vermelhas que no fim da maturação se tornam pretos. Pertence à família das Paeoniaceas e floresce entre abril e junho.

Constituintes e propriedades

Contém ácido benzoico, aspargina, peonina alcaloides, óleos essenciais, resinas e taninos.

A peónia é diurética, emenagoga, um bom tónico do fígado, é um remédio tradicional em muitos países para tratar espasmos, epilepsia, tiques nervosos e outros problemas do sistema nervoso, tónico amargo, adstringente, sedativo e febrífugo. É ainda sedativa e antisética.

A raiz da P.fruticosa é útil no tratamento de pedras na vesícula, úlceras gástricas, espasmos do estômago e intestinos sobretudo em casos de disenteria.

É um bom remédio para as mulheres, ajudando a tratar dores menstruais, estimulando os músculos uterinos. Ajuda nas contrações e no parto, na expulsão da placenta e ainda alivia cãibras e hemorragias entre períodos. Ajuda a tratar pesadelos e suores noturnos. Tem ainda propriedades antibacterianas, antivirais e anti-inflamatórias.

Precauções

As grávidas só devem tomar no fim da gravidez e com acompanhamento profissional.

Leia também: Tutorial: como plantar peónias

E ainda: A beleza única das peónias

Imagem: Thinkstock

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