Jardim

Planear uma pequena horta familiar

Saiba como estruturar o espaço da sua horta de forma a ter sempre as produções necessárias para consumo próprio.

Na horta são plantadas ou semeadas as culturas sazonais, com variedades locais (sempre que possível) ou que se adaptem melhor às condições edafoclimáticas da zona.

São utilizadas técnicas aplicadas na agricultura biológica, tais como: rotação de culturas; consociação de plantas; fertilização natural (incluindo a sideração e compostagem); tratamento das pragas e doenças com produtos autorizados em A.B; policultura (várias culturas) e empalhamento (mulching).

Para uma família com quatro pessoas, uma horta deve ter cerca de 400 m2 e deve ser planeada de acordo com os gostos alimentares de cada indivíduo.

Nas próximas edições, irei descrever mais detalhadamente alguns dos seguintes aspetos e considerações, que são importantes na organização de uma horta familiar em que se pratica agricultura biológica.

Considere 400 m2 para uma família de 4 pessoas:

  1. Disposição: Norte-Sul ou Este-Oeste, das linhas de cultivo, favorece a penetração do sol.
  2. Sebes simples e mistas: Plantas que formam uma vedação que pode servir de corta-vento, aumento da temperatura, refúgio de várias espécies animais (auxiliares) e produção de madeira que pode servir como tutores. Se a sebe for constituída por apenas uma espécie (ex.: bambu) é uma sebe simples, se forem várias espécies, são sebes mistas (herbáceas e arbustos de preferência autóctones)
  3. Compostor: Realiza-se o processo biológico de transformação dos resíduos orgânicos (estrumes ou restos orgânicos em fertilizante natural ou corretivo
    dos solos.
  4. Canteiros anuais: Realizam-se plantações das culturas sazonais, adaptadas ao solo e clima do local, seguindo um esquema de rotação de culturas
  5. Canteiros permanentes: Culturas vivazes, que podem ficar no mesmo local durante alguns anos. Servindo também de abrigo para animais auxiliares (espargos, chuchu, etc.)
  6. Canteiros em consociação: São plantas também chamadas companheiras que se plantam/semeiam juntas e beneficiam-se pela sua proximidade.
  7. Zona de plantas aromáticas e medicinais: Plantas diversas que atraem auxiliares com as suas flores e confundem as pragas com o seu aroma intenso. Estas plantas devem ter uso culinário ou medicinal.
  8. Canteiros com flores: Atrativas de auxiliares. As flores são essenciais para atrair abelhas, abelhões e muitos outros insetos auxiliares.
  9. Barracão de ferramentas: Estrutura de apoio que serve de arrumação para ferramentas, sementes e outros produtos utilizados na manutenção da horta.
  10. Alfobre: Zona mais protegida onde se realizam sementeiras ou plantações para transplante.
  11. Sistema de rega: A maioria das culturas é abrangida pelo
    sistema de rega gota a gota ou aspersão (com programador automático com sensor de chuva), que permite poupar água.
  12. Canteiros com leguminosas: Como exemplo de leguminosas, temos a ervilha, fava, grão, etc. São essenciais num esquema de rotação de culturas.
  13. Largura dos canteiros ou camalhões: Deve ser de 1-1,2 m
    para que uma pessoa de estatura média possa trabalhar sem pisar parte do canteiro, evitando a compactação do terreno cultivado. Os caminhos entre os canteiros devem ter 0,3-0,5 m.
  14. Caminho principal: Deve ter pelo menos 2 m de largura para que possam passar máquinas de maior porte (fresas ou motoenxadas).
  15. Canteiro para sideração (adubo verde): Este espaço serve para semear sobretudo plantas leguminosas forrageiras (ervilhaca, favarola, trevos, etc.) ou gramíneas (centeio, azevém, etc.), que são posteriormente enterradas (antes da floração), servindo de adubo verde para as culturas seguintes.
  16. Cerca ou vedação da horta: Pode ser feita com vários materiais, como rede de arame plastificada, arame zincado, caniços ou armações de madeira, evitando a entrada de animais de maior porte.
  17. Empalhamento (mulching): Pode ser feito nos caminhos ou mesmo nos canteiros. Consiste em colocar uma camada de uma cobertura morta de palhas, serradura, folhas e cascas de arvores, etc., para proteger o solo contra a erosão e as plantas do frio, combater as infestantes, evitar o pisoteio do solo, estimular a vida microbiana e contribuir para a fertilidade do solo.

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