Jardim

As abelhas e abelhões na horta

São responsáveis por 70-75% das flores fecundadas, sendo imprescindíveis na produção final dos frutos.

As abelhas podem aumentar a produção de frutos em mais de 500% e, segundo Peres, 100.000 espécies de plantas desapareceriam da Terra se deixassem de ser visitadas. As abelhas alimentam-se de pólen e néctar e por isso são os animais mais importantes na polinização.

Cada abelha visita dez flores por minuto e cerca de 40 mil flores por dia (primavera-verão), pois para produzirem 1 kg de mel, precisam de visitar cinco milhões de flores.

Na Europa, existem mais de 2000 espécies diferentes de abelhas, dez por cento das espécies do mundo, contribuindo para a produção e segurança alimentar e para o aumento da biodiversidade.

A abelha é um inseto voador que mede 5-16 mm de comprimento, com cabeça tórax, abdómen, antenas e ferrão (a maioria). Cada abelha tem cinco olhos. Alimentam-se de néctar e pólen.

Portugal e a Zona Mediterrânica da Europa são os locais onde existe maior concentração de abelhas e maior número de espécies, sendo conhecidas cerca de 650-750. Os jardins botânicos públicos e privados e as hortas comunitárias e privadas são locais que atraem muitas abelhas nas zonas urbanas.

Para termos sempre abelhas na horta, temos de criar condições para chamá-las e mantê-las sempre perto:

Multiculturas. Na horta devemos ter sempre espécies de plantas variadas, que vão dando flores durante todo o ano (apenas nos meses de dezembro a fevereiro, as abelhas não aparecem devido às baixas temperaturas), como, por exemplo, faveira, alcachofra, lúcia-lima, orégãos, manjericão, tomateiro, rúcula, abóboras, etc. As abelhas gostam de flores de várias espécies, mas preferem as de cores amarela, violeta e azulada e com aroma ou perfume agradável.

Abrigos para refúgio no inverno. Zonas com cercas de madeira, troncos cortados, paredes de terra e pedra multinivelada, muros de materiais diversos e sebes com arbustos densos servem de locais para as abelhas que nidificam em cavidades. Podemos construir “hotéis de abelhas”, estes “ninhos”podem ser feitos manualmente, utilizando tubos de bambu de diferentes tamanhos.

Locais de abrigo e nidificação. Criação de locais de terra sem vegetação ou solo nu, de forma a fornecer locais de nidificação a abelhas que nidificam no solo (muito abundantes nas zonas urbanas).

Pesticidas. Nunca utilizar pesticidas, que podem ser muito ou medianamente tóxicos para as abelhas

Monitorização e captura. Destruição e captura de abelhas não nativas e outros inimigos que alterem o equilíbrio natural e ameaçam a população de abelhas.

Existem mais de 20.000 espécies em todo o mundo, mas, na horta urbana onde trabalho, as espécies mais comuns são:

• Abelhões (Bombus terrestris Bombus ruderatus) – São as duas espécies mais comuns na horta. Têm um corpo volumoso e predominantemente preto com uma faixa amarela no tórax e no abdómen, assim como uma faixa esbranquiçada na parte superior do abdómen.

Podem ser comprados, pois são mais eficientes a polinizar, devido à sua língua mais longa, que lhes permite polinizar flores com cálices tubulares mais compridos e estão mais adaptados a procurar alimento, mesmo em condições climáticas mais frias e húmidas.

Têm um ferrão, mas apenas podem picar uma vez e só o fazem quando o seu ninho está ameaçado. Também podem ser encontrados no solo ou em sótãos e por baixo de telhas.

• Abelha-do-mel (Apis mellifera) – São sociais, vivendo essencialmente em colónias. As obreiras (todas fêmeas) têm cor escura com listas amarelas e o corpo coberto de pelos, para fixarem o pólen, medem 12-13 mm. Estima-se que cerca de 80% dos serviços de polinização agrícolas globais se devam a esta abelha.

Trata-se da espécie com maior número de exemplares na horta e a mais conhecida no mundo. Na Península Ibérica, a subespécie mais conhecida é Apis mellifera iberiensis.

• Abelha-carpinteira ou abelhão-azul (Xylocopa violacea) – Abelhas com corpo preto reluzente e as asas são azuis ou acastanhadas conforme a incidência de luz, com reflexos metálicos azuis, ou púrpuras negras, de grandes dimensões (as maiores de Portugal) com cerca de 3 cm de comprimento e 5 cm de envergadura. Constroem os seus ninhos com restos da madeira e vivem de uma maneira solitária.

Possuem ferrão, contudo a probabilidade de uma fêmea ferrar é muito baixa. Estas abelhas hibernam no inverno. Alimentam-se do néctar e pólen das flores, sendo excelentes polinizadoras. Têm uma geração por ano.

• Abelha-subterrânea ou doce (Lasioglossum malachurum) – Tem cor preta com riscas brancas na zona abdominal com pelos brancos e mede cerca de 1cm de comprimento. Faz ninhos em solos (longos túneis verticais) nus e solarengos, tapando a entrada com restos de vegetais (folhas e pequenos ramos) e marcam com secreções para mais fácil deteção. Polinizam um número variado de espécies, incluindo muitas plantas hortícolas, frutícolas e medicinais.

• Abelha-cardadeira-comum (Anthidium manicatum) – Semelhantes as vespas com listas pretas e amarelas, comprimento 1,3-1,7 cm, voam entre março e novembro, nidificam em ramos e troncos de madeira, aproveitando os“tricomas”(apêndices epidérmicos) das plantas. Visitam flores variadas, mas preferem as flores azuis ou violetas.

Cerca de um terço das abelhas e abelhões e outros insetos estão a desaparecer do nosso planeta devido a:

  • Poluição
  • Alterações climáticas
  • Falta de espaços verdes (habitats) e locais atrativos para os insetos com redução da vegetação espontânea.
  • Agricultura intensiva e uso excessivo de pesticidas
  • Espécies invasoras exóticas que interferem nos ecossistemas estabelecidos (ex. vespa-asiática, ácaros-varroa)
  • Aparecimento de parasitas e doenças letais (bactérias, fungos)

As hortas particulares ou parques hortícolas ligados às camaras ou freguesias são muito importantes para atrair as diversas espécies de abelhas, pois conseguem manter durante quase todo o ano flores e outros locais para que elas permaneçam vivas e ativas para poderem nidificar.

Trata-se, portanto, de uma “simbiose”, em que as abelhas contribuem para a produção do agricultor, que, por sua vez, mantém a horta durante todo o ano com diversas culturas que dão o néctar e o pólen de que as abelhas precisam. Não esquecer que o método de produção deve ser sempre biológico, para que esta relação seja saudável para todos.

Gostou deste artigo?
Então leia a nossa Revista, subscreva o canal da Jardins no Youtube, e siga-nos no Facebook, Instagram e Pinterest.


Poderá Também Gostar