Frutícolas

O medronheiro

É uma árvore de folha perene e pequeno porte que tem origem nos países da bacia do Mediterrâneo e da Europa Ocidental. O sul da Irlanda é a zona mais a norte onde o medronheiro cresce.

O medronheiro (Arbutus unedo) é uma árvore de folha perene e pequeno porte que tem origem nos países da bacia do Mediterrâneo e da Europa Ocidental. O sul da Irlanda é a zona mais a norte onde o medronheiro cresce.

É uma árvore que serve muitas vezes de pioneira em solos pobres, degradados ou que sofrem erosão e também resiste bem à salinidade, podendo ser cultivada perto do mar. Os seus frutos já eram muito apreciados na Grécia Antiga e, em Portugal, foram usados durante a colonização árabe com fins medicinais e alimentares.

A descrição botânica do medronheiro foi feita, em 1753, por Lineu. O seu nome “unedo” teria sido atribuído por Plínio, o Velho, significando que comia apenas um e só um. Isto deve-se ao facto de os frutos demasiado maduros, já em fermentação, poderem conter algum teor alcoólico.

Cultivo e colheita

O medronheiro é uma árvore nativa em Portugal, concentrando-se sobretudo no sul do País, com especial incidência nas serras do Caldeirão e de Monchique, e estando ausente apenas das zonas mais frias ou demasiado secas.

Apresenta-se sobretudo como uma árvore bastante ramificada de tipo arbustivo. Infelizmente é uma árvore que está concentrada em zonas de especial vulnerabilidade aos incêndios e os fogos têm devastado muitos medronhais, muito embora o seu tronco seja bastante resistente ao fogo e o medronheiro consiga recuperar com alguma facilidade.

As suas flores são melíferas e atraem as abelhas. Surge muitas vezes em consociação com outras árvores típicas do nosso País como o sobreiro, a azinheira, o pinheiro-manso e a alfarrobeira.

As produções anuais por árvore costumam ser baixas quando em comparação com outras frutas; é necessária uma fertilização rica em matéria orgânica. A propagação é geralmente feita por sementes, que têm uma taxa de germinação baixa e, só se for feita em casa, exige estratificação a frio das sementes.

Outros métodos de propagação são a estaquia, que deve ser feita na primavera, e a mergulhia, que é demorada e com baixa taxa de sucesso. Para uma família média, um medronheiro adulto poderá fornecer alguns quilos de frutos, mas se houver um quintal grande poderão ser plantados mais.

Manutenção

O medronheiro é uma árvore que floresce no princípio do outono ou no inverno e cujos frutos dessa floração amadurecerão no outono seguinte. Flores e frutos convivem ao mesmo tempo na planta. As podas devem ser feitas com cuidado, já na primavera, para não comprometer a floração. As primeiras podas são as podas de formação.

O medronheiro é geralmente conduzido em arbusto, mas pode ser podado para crescer em forma arbórea. A poda anual deve limitar-se ao corte de ramos malformados, doentes ou secos.

As regas devem ser limitadas e feitas apenas nos meses mais secos e as fertilizações, à base de estrumes ou compostos bem curtidos, são essenciais para melhoria das colheitas. As mondas ajudam a evitar a sufocação da árvore por herbáceas e outras infestantes.

Pragas e doenças

Como árvore nativa e rústica, o medronheiro resiste bem a pragas e doenças, mas estas podem afetá-lo. Algumas que podem atacá-lo são os pulgões e tripes. Quanto a doenças, a antracnose, a podridão da raiz e a ferrugem são as mais comuns. Importa prevenir para não ter de remediar mais tarde.

Propriedades e usos

O medronho é um fruto muito sensível e que deve ser apanhado com cuidado. Além dos usos culinários, como compotas e doces, é cada vez mais uma aposta para ser consumido em fresco. É um fruto rico em vitaminas A e C e em antioxidantes.

Graças ao seu alto teor em açúcar, os frutos são usados tradicionalmente no fabrico de licores e também para a destilação da afamada aguardente de medronho. As folhas do medronho têm sido usadas na medicina tradicional para tratar diversas doenças e a sua madeira é usada não só como combustível, mas apreciada para tornear.

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