Pragas e Doenças

Os danos causados por insectos em espaços verdes

Como referido nos artigos anteriores, o equilíbrio biológico de um determinado espaço verde implica que inúmeros seres vivos que vivem na dependência das plantas consigam realizar os seus ciclos de vida em harmonia com estas sem lhes causarem danos significativos. Contudo, numerosas vezes alguns destes seres, como os insetos, pela significância que assumem, ultrapassam os limites da coexistência com as plantas e provocam estragos relevantes.

Além das doenças, existem também as pragas que compreendem um leque muito abrangente de seres onde se destacam os insetos, os roedores e os herbívoros. Nas pragas, à semelhança das doenças, os principais danos causados ocorrem nas folhas reduzindo a capacidade fotossintética, nos fluidos das plantas através do seu consumo, na seiva diminuindo a translocação nos tecidos vasculares, na capacidade de absorção de nutrientes através da destruição das raízes e especialmente na defesa da planta contra outros agentes nocivos, por vezes com maior expressão que os primeiros. Os danos causados por pragas com maior representatividade são provocados por insetos, pelo que será dado destaque a este grupo de agentes nocivos.

insetos

Entomologia Ornamental

Ao ramo da ciência que estuda os insetos em espaços verdes, com vista ao seu controlo dá-se a designação de Entomologia Ornamental.

Morfologia

No que concerne à morfologia dos insetos, o seu corpo encontra-se dividido em três segmentos: cabeça, tórax e abdómen. Ao nível da cabeça encontram-se um par de antenas, pelo menos um par de olhos e a armadura bucal, i.e., uma estrutura que serve para alimentação e que varia bastante com a espécie. Esta estrutura determina o tipo de danos que causa na planta.

No tórax encontram-se dois pares de asas, as anteriores e as posteriores, assim com três pares de patas. Localizados no abdómen estão o aparelho digestivo e os órgãos reprodutores.

Todos os insetos seguem esta morfologia, à exceção de algumas espécies de formigas e das térmitas que foram sofrendo alterações morfológicas compatíveis com o seu ciclo de vida.

Ciclo de Vida

A classe dos insetos para completar o seu ciclo de vida necessitam de passar por três ou por quatro fases de desenvolvimento, dizendo-se que possuem metamorfose incompleta ou metamorfose completa respetivamente.

Nas espécies que efetuam metamorfose completa, existem as seguintes fases de desenvolvimento: estados imaturos (ovo, larva, pupa) e um único estado adulto (imago). São exemplo a joaninha, a borboleta, entre outras. Nas espécies que efetuam metamorfose incompleta, existem os estados imaturos (ovo e ninfa) e um único estado adulto (imago). São exemplo o gafanhoto, a formiga, entre outras.

Metamorfose completa

 

Metamorfose incompleta

 

Classificação dos insetos

Taxonomicamente os insetos podem ser agrupados de acordo com a sua morfologia e ciclo biológico. Entre os parâmetros mais relevantes que determinam o agrupamento das espécies em ordens, enumeram-se o tipo de asas, o tipo de armadura bucal e o tipo de metamorfose realizada. Os insetos podem ainda ser classificados de acordo com o órgão vegetal que atacam e simultaneamente com os danos causados. Assim, é corrente considerar os insetos que atacam a raiz e/ou colo de Perfuradores e de Galícolas; os insetos que atacam o tronco, ramos e raminhos, considerando-se os Perfuradores (fig. 3a) e os Galícolas. Os que parasitam os gomos e os rebentos designam-se de Perfuradores; os insetos que atacam as folhas, considerando-se os Desfolhadores (Fig. 3b), os Picadores-sugadores (Fig. 3c) e os Galícolas; e os insetos que destroem as flores os frutos e as sementes falando-se de Perfuradores, de Picadores-sugadores (Fig. 3d) e de Galícolas.

 

Perfuradores (fig. 3a); Desfolhadores (Fig. 3b); Picadores-sugadores (Fig. 3c); Picadores-sugadores (Fig. 3d)

 

Dinâmica Populacional

O estudo da evolução da população duma praga designa-se Dinâmica populacional. A evolução das pragas é regulada por fatores intrínsecos à espécie que se designam Fatores Internos de Regulação. Estes compreendem a taxa de crescimento da espécie, a fecundidade, a longevidade da espécie, a capacidade e distância de voo, entre outros. Já os Fatores Externos de Regulação são a temperatura; a humidade; o vento; a disponibilidade de alimento; a fisiologia do hospedeiro; os predadores e parasitas, entre outros.

A relação entre a densidade da praga e a capacidade de suporte do hospedeiro determina alguns modelos comportamentais da primeira: Latente: a população de insetos mantém-se sempre dentro dos limites aceitáveis de dano; Permanente: a densidade da praga é sempre superior ao nível justificável de intervenção; Temporário com gradações: a população mantém-se latente por longos períodos, entrando esporadicamente em gradação; e Periódico com gradações: a evolução das populações é previsível pois repete-se ao longo do tempo.

Finalmente, é importante referir que nem sempre existe um limite nítido entre as situações enunciadas. É o caso em que através de condutas oportunistas, os insetos podem passar de latentes a temporários com gradações ou a periódicos com gradações. Neste último caso, esta passagem só decorre se as condições do hospedeiro e as condições ambientais o permitam. Assim, assumem especial relevo as diversas intervenções no jardim, de modo a fomentar a sanidade das plantas e, simultaneamente, o favorecimento do meio ambiente sobre as mesmas.

Fotos: Thinkstock

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