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Jardins do fim do mundo

Conheça o 15.º Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima e o 10.º FESTIVAL INTERNACIONAL DE JARDINS DE ALLARIZ. Vamos mostrar-lhe uma coleção de jardins do fim do mundo.

Um caminho foi percorrido desde 2005 e todos os anos fomos ao “fim do mundo”.

Queremos com isto dizer que desde sempre houve uma forte adesão internacional a este evento, tendo recebido, no último concurso, 27 propostas de países europeus, também da Argentina, Brasil e da China. Destas, foram seleccionadas um total de 11, que estão em exposição até 31 de outubro deste ano, além do jardim holandês vencedor de 2018, com o título “O Jardim de Microclimas”.

Desde há uns anos a esta parte, temos também a participação das crianças do ensino básico, refletido no “Jardins das Escolinhas”, um sonho tornado realidade, com o entusiasmo de pais e professores.

Qual a importância deste evento? Jardins do Fim do Mundo?

Os festivais de jardins constituem não só uma mostra de talentos vários e de ideias originais, mas também um verdadeiro estímulo à atividade económica, dada a sua capacidade de atração turística. Nos últimos 15 anos, mais de um milhão de pessoas, nacionais e estrangeiros, visitaram Ponte de Lima, com todos os benefícios daí associados.

Com esta capacidade aglutinadora, os festivais são também o veículo de mensagens várias; assim, ousámos tratar de uma forma simbólica assuntos tão importantes como as energias, o lixo, a floresta, o conhecimento, as alterações climáticas, tal como as descobertas da Humanidade.

Passeámos nestes jardins, rumo a mundos longínquos, seguramente nunca antes assim navegados. Ensaiámos novas técnicas, novas espécies botânicas foram para aqui trazidas, aprendemos com outras culturas, incentivámos jovens em prol de causas sociais, artísticas e ambientais.

Conquistámos muitos alunos, professores, e toda uma população, para se unir em torno da distinção paisagística de Ponte de Lima e fomos até ao fim do mundo…

Desde 31 de maio de 2019 que os portões estão abertos para esta viagem ambiental, muito para além do espaço físico do parque; as repercussões fazem-se sentir na comunidade infantil e juvenil, e também nos visitantes que são confrontados, simbolicamente é certo, com questões pertinentes que afetam o planeta.

Também uma palavra de grande apreço a todos os concorrentes, e não só aos que foram selecionados, pois todos eles são o fundamento destes eventos. As ideias que nos impressionaram, que nos fizeram pensar de modo diferente e que nos tocaram vieram de todos os criadores que nos brindaram com o seu talento e generosidade.

1. Jardim da Amizade (China)

Celebra-se a amizade entre Portugal e a China através da partilha dos seus símbolos, que refletem as culturas ocidental e oriental.

Enaltece-se a Viagem dos Descobrimentos Portugueses, que proporcionaram o conhecimento de outros povos e a fusão das respetivas tradições.

Neste jardim estão retratados símbolos tais como o dragão, a ponte e o pavilhão chinês, as típicas janelas da Rua da Felicidade ou o “entretenimento agressivo dos grilos”; apreciamos a delicadeza da flor-de-lótus ou a robustez do bambu e descansamos à sombra da “árvore das patacas”.

Um jardim muito impressivo, com várias chamadas para a sólida e antiga relação cultural entre Portugal e a China.

2. Jardim dos Microclimas (Holanda) — vencedor de 2018 escolhido pelos visitantes

“Um microclima é uma pequena área que difere da circundante em termos atmosféricos.” Estes microclimas artificiais foram concebidos para “aumentar a nossa consciência da Natureza e do clima na paisagem rural de Portugal”.

Aqui, podemos identificar os vários microclimas: junto ao lago, rio, pântano, na montanha, ou no prado de flores silvestres. A beleza das plantas e a biodiversidade podem ser observadas à escala do jardim.

3. Paraíso Esquecido (Áustria)

Uma reflexão muito acutilante sobre o consumismo e o desperdício associado, que nos tem levado a exaurir muitos dos recursos naturais do planeta e à acelerada extinção de espécies.

O visitante tem a possibilidade de fazer esta viagem, mas também de refletir sobre a sua atitude perante os ecossistemas terrestres.

4. Atrás da Reflexão (República Checa)

Uma reflexão sobre a tecnologia e o mundo virtual que nos rodeia, que nos adormece os sentidos para mitigar a realidade do planeta.

No caso extremo de ausência de vida, esta será a derradeira ilusão: o mundo ATRÁS DA REFLEXÃO.

5. Mirabilia (Itália)

Admiração, curiosidade e desejo de conhecimento; o projeto “Mirabilia” (Maravilhas) “analisa estas sensações e a sua relação com a Natureza”.

Este jardim inspirou-se em duas obras do pintor francês Robert Delaunay — “Alegria da Vida” e “Ritmo sem fim” — para transmitir distintas sensações através das micropaisagens em presença.

6. Utopia-Metamorfose-Distopia (Alemanha)

O fantástico, o imaginário, o surreal foram ultrapassados pelo mundo digital?

Este jardim pretende valorizar a condição humana e as suas experiências no meio ambiente, da utopia até ao seu contrário, a distopia, passando pela metamorfose, isto é, as várias transformações de cores, formas, além de alterações físicas e psíquicas do ser humano.

7. Astrolabium (Brasil)

Para este autor brasileiro, o fim do mundo pode ser um lugar geográfico ou o fim de uma era, ciclo ou época. A peça principal, o astrolábio, é uma metáfora para a descoberta de novos mundos.

Outros elementos, como o lago, o solo arenoso ou o cascalho, confrontam-nos com a rápida extinção de espécies, logo, da biodiversidade do nosso planeta.

Mensagem: Descobrimos novos mundos, mas destruímos outros tantos. É nossa obrigação ter uma outra atitude perante o planeta, dando início a uma nova era mais sustentável.

8. Antiquum et aeternum (Espanha)

Uma calote esférica, semelhante à carapaça de uma tartaruga, ocupa o centro do jardim. A tartaruga é um dos símbolos mais antigos, representa a Mãe Terra, a proteção de todos os seres vivos que a habitam, garantindo a sua longevidade.

O interior acolhe uma coleção diversa de fetos ou samambaias (plantas vasculares que não produzem sementes, reproduzindo-se por esporos).

Mensagem: Os fetos existem há milhões de anos na Terra, muito antes do aparecimento dos humanos; impõe-se deste modo uma atitude de humildade perante a Natureza.

9. Jardim Vertigem (ir)reversível (Portugal)

“Se queres construir um barco, não chames as pessoas para juntar a madeira ou atribuir-lhes tarefas e trabalho, mas sim ensina-os a desejar a infinita imensidão do oceano.” — Antoine de Saint-Exupéry, in Cidadela (1948, postumus).

Eis um jardim carregado de símbolos, numa vertigem reversível, até ao Juízo Final. A pureza do alfa argênteo, a decadência do ómega ferrugento, o purgatório, as chaves do céu e os ”7 pecados do capital” são metáforas do nosso caminho sempre reversível, se assim o desejarmos.

10. Fim do Mundo, Princípio de Tudo (Argentina)

Somos convidados a fazer uma viagem ao fim do mundo. Um espaço circular representa o início; a rosa-dos-ventos orienta-nos, numa jornada lenta e sinuosa; no caminho deparamo-nos com uma caixa preta que esconde imagens de paraísos longínquos e não só…

Adiante, mais artefactos que nos interpelam quanto ao propósito das nossas escolhas; Júlio Verne escreve “não há obstáculos impossíveis, há vontades mais fortes ou mais fracas, é tudo!”

11. Jardim de Ilusões (Portugal)

Uma peça escultórica ocupa o centro de tudo! A pergunta que se impõe é que mundo devemos escolher? Sustentável, belo, biodiverso, solidário também, assente na consciência da possibilidade do fim de tudo? Ou o seu contrário?

A escultura transmite uma reversibilidade dos nossos comportamentos, “indispensável à existência da vida na Terra”.

12. Jardim sem Fim (Itália)

Uma fonte ocupa o centro; bancos e floreiras rampeadas representam os quatro elementos: Água, Terra, Ar e Fogo.

“Segundo a filosofia grega, estes elementos são a causa da origem e morte do nosso planeta, num movimento circular sem fim” (daí o título).

O Festival encerra a 31 de outubro de 2019.

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